É fato. O ex-governador Mauro Mendes (União), candidato ao senado, assumiu de vez o papel de “vítima”, tentando desviar o foco da denúncia que a Polícia Federal está investigando contra ele por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). A PF aponta indícios de que a operação financeira, no chamado Escândalo da Oi, foi usada para desviar recursos públicos por meio de fundos de investimento e empresas de fachada. A investigação apura suspeitas de crimes 1) contra o Sistema Financeiro Nacional; 2) peculato; 3) lavagem de dinheiro e 4) uso indevido de informação privilegiada.
Mendes deve explicações, mas prefere atacar os adversários. Através do seu marketing eleitoral, ele criou uma bela peça de propaganda onde faz o papel de “vítima” que ataca. Os pontos principais do panfleto digital de Mauro Mendes criado pela sua equipe de propaganda.
“ARMAÇÃO ELEITORAL”
A peça de propaganda classifica a denúncia de corrupção como uma suposta “armação eleitoral”. Em duas artes publicadas no Instagram, o candidato ao Senado relacionou a operação ao recente rearranjo político de Mato Grosso e afirmou que seus adversários tentam atingir seu grupo a cerca de 60 dias das eleições. Simples assim.
“VELHAS RAPOSAS”
Em outro ponto da sua propaganda de defesa que ataca, Mauro questiona a proximidade entre a operação e decisões tomadas durante as convenções partidárias. Em uma das artes, ele destaca que a ação ocorreu “logo depois” de o senador Jayme Campos ser rejeitado como candidato pelo União Brasil, de Janaina Riva (MDB) ser afastada da composição como vice do grupo e de seu antigo grupo político decidir não se unir às chamadas “velhas raposas da política que sempre lesaram o Estado”. No melhor exemplo de propaganda política, a peça lança dúvidas para estimular a descrença do eleitor: “Você acredita em tantas coincidências?”
LANÇAR DESCONFIANÇA NA POLÍCIA FEDERAL: FALHA E ERRA
A propaganda de Mauro Mendes reforça a tese pobre de que o ex-governador estaria sendo alvo de uma ação com motivação política. Mauro afirma que a Polícia Federal é uma instituição séria, mas ressalta que, segundo ele, “dentro dela existem pessoas que podem falhar ou serem induzidas a erro”. Na mesma arte eleitoral, o ex-governador relembra que foi alvo de uma operação da PF em 2014 e destaca que o caso acabou arquivado pela Justiça em 2017. A partir disso, afirma que acredita que o mesmo poderá ocorrer agora. “Em 2014, Mauro foi alvo de operação da PF e tudo foi arquivado em 2017. Agora acontecerá o mesmo!”, diz o texto publicado em seu perfil.
PEGA MAL, PONTO FINAL
A peça de propaganda de Mauro Mendes, que não explica o que realmente interessa, o caminho do dinheiro, termina apontando o que considera ser o objetivo de seus adversários. A propaganda diz: “o único objetivo de toda essa armação dos adversários é aplicar um golpe eleitoral a 60 dias das eleições”.
INVESTIGAÇÃO MIRA FUNDOS
A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou a Operação Heritage da Polícia Federal, determinou que a Master S.A. Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários apresente documentos relacionados a cinco fundos de investimento investigados.
Entre eles estão Royal Capital Fundo de Investimento em Direitos Creditórios, Zurich Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado, London Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, Lotte Word Fundo de Investimento em Direitos Creditórios e Coliseu Fundo de Investimento em Direitos Creditórios.
A documentação requisitada inclui contratos, registros de carteira de investimentos, extratos bancários, documentos sobre o lastro dos direitos creditórios, relatórios de auditoria e compliance, além de informações sobre cotistas e beneficiários finais. Segundo a decisão judicial, o material deverá subsidiar o avanço das investigações da Polícia Federal.





















