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ARTIGO

Seja a voz que acolhe

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A violência contra as mulheres diz respeito a todas, todos e todes. E esse é o mote da campanha que passa a ser divulgada pela Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso, no enfrentamento à violência doméstica e familiar.

O mês de agosto é conhecido nacionalmente como Agosto Lilás, por conta do aniversário da Lei 11.340/2026, conhecida como Lei Maria da Penha. E o ano de 2026 é especial, pois são 20 anos do advento dessa importante norma.

A a Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso, através do Núcleo de Defesa das Mulheres – NUDEM -, está lançando uma campanha institucional. O mote se perfaz em estimular familiares, pessoas próximas, amigas e amigos, vizinhas e vizinhos, e colegas de trabalho a identificarem os sinais de alerta de toxidade nos relacionamentos íntimos e de afeto.

Em 2023, através de pesquisa realizada pela Defensoria Pública e demais instituições e poderes que fazem parte do atendimento das mulheres em situação de violência, foram entrevistados e entrevistadas alguns familiares de mulheres que foram vítimas de feminicídio. Percebeu-se que acima de 70% das pessoas próximas dessas mulheres tinham conhecimento de que elas viviam em relacionamentos tóxicos.

Há silêncios que protegem a intimidade, e outros que protegem a violência. A campanha “Seja a voz que acolhe” traz em seu próprio nome a ideia poderosa de que é preciso ação, para construir uma sociedade capaz de perceber, escutar, acolher e agir. A violência pode acontecer entre quatro paredes, mas as suas causas e consequências ultrapassam esses limites. O que parece pertencer à esfera privada, rapidamente se transforma em uma questão de direitos humanos, de cidadania e de responsabilidade coletiva. A violência doméstica ficou muito tempo escondida na indiferença.

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A campanha possui alguns objetivos: sensibilizar a população para identificar os sinais de violência doméstica; estimular familiares, vizinhos e vizinhas, colegas de trabalho e outras pessoas próximas a acolherem mulheres e as orientando a procurar a Defensoria Pública; fortalecer a divulgação do NUDEM como instituição de apoio, orientação e proteção às mulheres; e contribuir para a redução de casos de feminicídio no Estado.

Como público alvo a campanha terá pessoas que convivem com mulheres vítimas de violência, bem como toda a população, com o foco em poder identificar os sinais e denunciar. É preciso mostrar de maneira evidente e sensível que a violência é real, próxima e de urgente enfrentamento, podendo cada pessoa ser agente de transformação ao acolher e denunciar.

Ser a voz que acolhe não significa falar pela mulher, retirando o respectivo protagonismo ou a sua autonomia. Entretanto, é preciso estar apto a ouvi-la. E ouvir verdadeiramente exige acreditar, não julgar, não culpabilizar e não transformar a vítima em algoz da sua própria história.

Quantas vezes, diante de uma situação de violência, a primeira pergunta ainda é dirigida à mulher? Por que ela permaneceu naquela relação? Por que não denunciou antes? Por que voltou para casa? Por que não pediu ajuda? Precisamos inverter essa lógica. Por que ele a agrediu? Por que alguém acreditou possuir o direito de controlar seus passos, suas roupas, suas amizades, seu dinheiro ou seu corpo? Por que pessoas próximas perceberam os sinais e permaneceram indiferentes? Por que tantas mulheres ainda encontram dificuldades para romper ciclos de violência?

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Assim, a Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso passará a disponibilizar maior facilidade de atendimento através do site, onde trará o “Painel de Defesa das Mulheres”, e um canal direto que ao se clicar no botão “Preciso de Atendimento”, haverá o direcionamento para o NUDEM.

A campanha faz o convite de abandonar a posição de espectadores e espectadoras da violência doméstica e familiar. A mensagem central é direta: “Neste momento, uma mulher está sofrendo violência perto de você. Seja a voz que acolhe”.

Rosana Leite Antunes de Barros é defensora pública estadual, mestra em Sociologia pela UFMT, doutoranda em Educação pela UFMT, membra do IHGMT e da Academia Mato-grossense de Direito na Cadeira 29.

* A opinião do articulista não reflete necessariamente a opinião do PNB Online

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