
O período eleitoral é o momento de ver em palanques e redes sociais homens e mulheres que se dizem corajosos e corajosas. Gritam, espalham suas figurinhas por todo o canto, prometem que irão fazer o que nunca fizeram. E tem também as mulheres e homens que não precisam esbravejar para mostrarem-se corajosos, pois seu trabalho em prol da população é um exemplo de seu compromisso com as pessoas.
Corajosos e corajosas são as eleitoras e eleitores que em confiança entregam seus votos e esperam de seus eleitos e eleitas a mesma coragem que eles tiveram ao cumprir o papel constitucional de votar. Esperam dos eleitos responsabilidade, retidão de caráter e compromisso com a solução dos grandes problemas enfrentados pelo país, pelo estado e sua população.
Este confronto de significados de uns que se dizem corajosos e de outros que não falam, mas comportam-se como pessoas de coragem, pede uma discussão sobre o que significa realmente ter coragem.
Coragem não é gritar, ameaçar, mostrar-se mais forte, poderoso, valente, capaz de enfrentar e vencer, mostrar-se sem medo. Essa coragem de homens e mulheres vingadores é hollywoodiana, fruto da indústria cultural que planta a ideia de homens e mulheres vigorosos, vorazes, implacáveis e sempre vencedores.
Enquanto as telas das redes sociais mostram circunstâncias imaginadas e tecnologicamente desenhadas, a vida é uma constante luta para sobreviver, criar e educar filhos em um país onde menos pessoas se tornam donas do dinheiro e cada vez mais brasileiros vivem sob baixos salários, sob juros incompreensíveis e sob a tortura de dívidas, muitas delas impagáveis. É um ato de coragem e cidadania votar e confiar.
Coragem é assumir os erros, os atos falhos, coisas que muitos políticos, os extremistas principalmente, não praticam. Coragem é ter um caráter exemplar, hombridade, perseverança e honestidade de propósitos. Para Ernest Hemingway, coragem se manifesta quando a “dignidade está sob pressão”. Manter-se digno, sim, isso é ser corajoso.
Coragem é firmeza de espírito, é olhar para o outro, compreender as dificuldades e lutar no mandato parlamentar para minimizar, oxalá resolver, os problemas mais graves de nossa população. Soluções, não ao modo populista de abraçar e enviar uma cesta de Natal, muito menos ao modo nazista, de encurralar a população mais humilde em guetos dos quais não consegue sair sem apoio institucional dos parlamentares com projetos definitivos e participação nas votações; do trabalho de parlamentares que foram até o povo prometer e pedir votos.
MATO GROSSO
Há no país, e em Mato Grosso também, muitas cidades em que as pessoas mais vulneráveis estão apartadas dos bens e serviços que a cidade oferece aos mais abastados. Coragem parlamentar é lutar para mudar esta realidade.
Coragem é uma força interior, um coração forte que leva à retidão de caráter. A bravura não vem de palavreado chulo, de gritos e acusações mentirosas, mas vem impulsionada por uma força interior maior: a coragem. A coragem de cumprir o que prometeu quando implorou pelo voto.
A coragem vem sim do coração. Segundo a etimologia, ciência que estuda a origem das palavras, a palavra coragem tem mais conexão com a sensibilidade do que com a força. Atos de coragem são ações empreendidas com o coração e com a razão, com o raciocínio compreensivo e não com ódio e músculos. A irracionalidade de bravatas e palavras esculpidas com ódio, isto não é ser corajoso.
Sem dúvida, coragem é superar o medo, reconhecer as fragilidades e seguir em frente. A população faz isso cotidianamente, sempre com confiança e esperança de que um dia tudo vai mudar. O que move a coragem é uma força interior, a entrega à família, à luta para oferecer aos filhos o que os pais não tiveram a oportunidade de ter.
Reconhecer os erros e corrigi-los é um ato de coragem que muitos homens e mulheres candidatos e candidatas ignoram. Preferem insistir em mentiras alegando que assim o fazem por serem corajosos ou corajosas. A coragem, expressam filósofos, escritores e pessoas de bem, é a base das virtudes que sustentam uma postura ética. A coragem é o que nos dá firmeza nas atitudes.
A coragem do arrependimento, do aprendizado, é sinônimo de sabedoria, uma grandeza que parece ter desaparecido dos homens públicos mais extremistas. Estes querem sempre se mostrar invencíveis, valentes, inquebráveis, imbrocháveis ou até imexíveis, como dizia Rogério Magri, ministro demitido por corrupção no governo corrupto de Fernando Collor.
Corajosos são aqueles que superam a vergonha de ser humilhado, o orgulho da derrota e faz da queda um degrau, uma alavanca para recomeçar e continuar em frente. Sem essa firmeza permanente, corrupção, desonestidade e mentiras são os pilares que políticos mal-intencionados usam para se mostrarem valentes.
Corajosas e corajosos são as mulheres e homens que enfrentam dias e dias de trabalho em condições precárias, mas com a esperança de um futuro melhor para os seus filhos. São aqueles e aquelas que exercem seus direitos cívicos de votar na expectativa de que os seus candidatos possam trabalhar como parlamentares comprometidos com a população e não com os lucros que a vida parlamentar pode proporcionar.
A VERDADEIRA CORAGEM
Lutar, tropeçar, cair, levantar e seguir em frente. Assim é a vida da maioria dos brasileiros e brasileiras: esperançosos de que um dia a vida vai mudar para suas famílias. Isto sim é coragem. Já os políticos que apenas bradam, prometem e se enriquecem na política, sem pensar nas promessas que fizeram, estes não são corajosos, escondem-se em um mandato para mostrarem-se o que não são e talvez nunca tenham sido: pessoas de coragem.
























