
O prefeito Abilio Brunini (PL) tem duas ocupações hoje, e nenhuma delas tem a ver com administrar Cuiabá, largada à própria sorte por uma gestão que não cumpre as promessas feitas na campanha de 2024. Abilio faz o papel de marido dedicado, ocupado em eleger a esposa a deputada estadual e o papel de marreta digital, ocupado em servir aos candidatos que apoia, fazendo as críticas encomendadas contra os adversários.
CUIABÁ QUE ESPERE
Ocupação 1: Abilio enfrenta uma crescente rejeição em Cuiabá. Esse desgaste atrapalha a sua ocupação 1, eleger a esposa, dona Samantha, deputada estadual, fortalecendo politicamente o Clã Brunini. A solução é buscar na bolha da extrema direita no interior os votos que não encontra mais fácil à disposição em Cuiabá. Dona Samantha faz uma campanha que imita a performance do marido: zero propostas e 100% de discurso ideológico, com ataques de sempre ao PT e ao presidente Lula. O discurso que a extrema direita se alimenta.
CRÍTICAS ENCOMENDADAS
Ocupação 2: Abilio ocupa, todos os dias neste período eleitoral, as capas de alguns sites com a sua cena eleitoreira: sem ser candidato a nada, faz o papel de xerife ideológico, atacando os adversários. Os problemas da cidade ficam sem solução, a prioridade de Abilio é ser ponta de lança dos candidatos a quem serve. Cada crítica que ganha espaço midiático atende a algum aliado, tudo o que sai da boca do prefeito tem manifesto objetivo eleitoreiro.
DESGASTE EM ALTA
O desgaste político e de imagem de Abilio Brunini à frente da Prefeitura de Cuiabá resulta da transição difícil entre seu estilo de muitos vídeos e pouco trabalho e as exigências práticas do Poder Executivo.
Os principais fatores que explicam essa perda de sustentação junto à opinião pública cuiabana concentram-se em cinco frentes:
Conflitos crônicos na Saúde Pública: A rede municipal de saúde continua sendo o gargalo mais sensível da capital. O desgaste se acentuou com disputas sobre adicionais de insalubridade, corte de gratificações de servidores e episódios de desabastecimento ou filas, além de declarações públicas atribuindo a culpa a decisões judiciais, ao Estado ou aos próprios profissionais.
Atrito com os servidores públicos: A relação com sindicatos da saúde e da educação deteriorou-se rapidamente. Episódios de vazamentos de áudios e falas consideradas desrespeitosas em reuniões internas geraram forte reação negativa das categorias e repercussão nacional desgastante.
Fadiga do modelo “Prefeito Fiscalizador/Influenciador”: O método da extrema direita que o projetou — transmissões ao vivo de surpresa, cobranças teatrais com celular na mão e foco em redes sociais — perdeu eficácia no Executivo. Críticos e parte significativa da população passaram a apontar que a postura performática não substitui a entrega de serviços de zeladoria, asfaltamento e gestão hospitalar.
Isolamento político e choques institucionais: Brunini tem mantido pontes quebradas com setores da Câmara Municipal, deputados estaduais da Assembleia Legislativa (ALMT) e órgãos de controle. A dificuldade em articular consensos e a dependência de repasses estaduais/federais travados por embates políticos acabam impactando o ritmo das obras e serviços na capital.
Cobrança pós-Emanuel Pinheiro: Eleito com o discurso de contraposição à gestão anterior, Abilio gerou uma expectativa de resolução rápida do rombo financeiro e dos problemas crônicos da cidade. À medida que o mandato avança e as melhorias estruturais demoram a se materializar no cotidiano dos bairros periféricos, a comparação com as promessas de campanha acentua a grande desilusão popular.
A insistência no confronto discursivo em vez da estabilização administrativa tem acelerado o desgaste, transformando a performance de ataques que o elegeu em um entrave para a governabilidade diária.

























