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“PREFEITO TIKTOK”

Com rejeição crescente em Cuiabá, Abilio busca no interior votos para a esposa

Chamado de “prefeito TikTok” pela oposição e boa parte dos cuiabanos, por ficar mais tempo fazendo vídeos do que cuidar da gestão da cidade, Abilio Brunini busca na bolha da extrema direita do interior os votos para eleger a esposa, dona Samantha, candidata à deputada estadual. A rejeição crescente em Cuiabá é o motivo de Abilio correr atrás dos votos bolsonaristas do interior.

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(Foto: Reprodução)

O prefeito Abilio Brunini (PL) tem duas ocupações hoje, e nenhuma delas tem a ver com administrar Cuiabá, largada à própria sorte por uma gestão que não cumpre as promessas feitas na campanha de 2024. Abilio faz o papel de marido dedicado, ocupado em eleger a esposa a deputada estadual e o papel de marreta digital, ocupado em servir aos candidatos que apoia, fazendo as críticas encomendadas contra os adversários.

CUIABÁ QUE ESPERE

Ocupação 1: Abilio enfrenta uma crescente rejeição em Cuiabá. Esse desgaste atrapalha a sua ocupação 1, eleger a esposa, dona Samantha, deputada estadual, fortalecendo politicamente o Clã Brunini. A solução é buscar na bolha da extrema direita no interior os votos que não encontra mais fácil à disposição em Cuiabá. Dona Samantha faz uma campanha que imita a performance do marido: zero propostas e 100% de discurso ideológico, com ataques de sempre ao PT e ao presidente Lula. O discurso que a extrema direita se alimenta.

CRÍTICAS ENCOMENDADAS

Ocupação 2: Abilio ocupa, todos os dias neste período eleitoral, as capas de alguns sites com a sua cena eleitoreira: sem ser candidato a nada, faz o papel de xerife ideológico, atacando os adversários. Os problemas da cidade ficam sem solução, a prioridade de Abilio é ser ponta de lança dos candidatos a quem serve. Cada crítica que ganha espaço midiático atende a algum aliado, tudo o que sai da boca do prefeito tem manifesto objetivo eleitoreiro.

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DESGASTE EM ALTA

O desgaste político e de imagem de Abilio Brunini à frente da Prefeitura de Cuiabá resulta da transição difícil entre seu estilo de muitos vídeos e pouco trabalho e as exigências práticas do Poder Executivo.

Os principais fatores que explicam essa perda de sustentação junto à opinião pública cuiabana concentram-se em cinco frentes:

Conflitos crônicos na Saúde Pública: A rede municipal de saúde continua sendo o gargalo mais sensível da capital. O desgaste se acentuou com disputas sobre adicionais de insalubridade, corte de gratificações de servidores e episódios de desabastecimento ou filas, além de declarações públicas atribuindo a culpa a decisões judiciais, ao Estado ou aos próprios profissionais.

Atrito com os servidores públicos: A relação com sindicatos da saúde e da educação deteriorou-se rapidamente. Episódios de vazamentos de áudios e falas consideradas desrespeitosas em reuniões internas geraram forte reação negativa das categorias e repercussão nacional desgastante.

Fadiga do modelo “Prefeito Fiscalizador/Influenciador”: O método da extrema direita que o projetou — transmissões ao vivo de surpresa, cobranças teatrais com celular na mão e foco em redes sociais — perdeu eficácia no Executivo. Críticos e parte significativa da população passaram a apontar que a postura performática não substitui a entrega de serviços de zeladoria, asfaltamento e gestão hospitalar.

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Isolamento político e choques institucionais: Brunini tem mantido pontes quebradas com setores da Câmara Municipal, deputados estaduais da Assembleia Legislativa (ALMT) e órgãos de controle. A dificuldade em articular consensos e a dependência de repasses estaduais/federais travados por embates políticos acabam impactando o ritmo das obras e serviços na capital.

Cobrança pós-Emanuel Pinheiro: Eleito com o discurso de contraposição à gestão anterior, Abilio gerou uma expectativa de resolução rápida do rombo financeiro e dos problemas crônicos da cidade. À medida que o mandato avança e as melhorias estruturais demoram a se materializar no cotidiano dos bairros periféricos, a comparação com as promessas de campanha acentua a grande desilusão popular.

A insistência no confronto discursivo em vez da estabilização administrativa tem acelerado o desgaste, transformando a performance de ataques que o elegeu em um entrave para a governabilidade diária.

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