Somados, os três maiores colégios eleitorais de Mato Grosso – Cuiabá, Várzea Grande e Rondonópolis – totalizam 828.032 pessoas aptas a votar em outubro. Isso corresponde a 31,38% dos 2.638.230 eleitores mato-grossenses distribuídos nos 142 municípios do estado.
Na expectativa de peso eleitoral, o percentual sinaliza que, a depender das campanhas, está nas mãos dos cuiabanos, várzea-grandenses e rondonopolitanos decidir os vitoriosos de 2026 no estado. Em Cuiabá, são 456.007 votantes. VG segue com 194.778 e Rondonópolis tem 177.247.
Próximo do pleito, o cidadão – principal personagem do processo eleitoral – está definindo seus votos conforme a realidade de sua cidade e opção política. E nessas cidades mais populosas entende-se que, por óbvio, não existe receita única para eleger presidente, governador, senador e deputados.
Há, porém, indicadores que seus moradores reconhecem no dia a dia; no bolso, na hora de pagar as contas; nos atendimentos de saúde; na oferta de educação de qualidade, na segurança; nas condições de trabalho, na mobilidade urbana e nas mudanças climáticas, entre outras condições. As necessidades e limitações saltam aos olhos.
Como eleitora de um desses colégios, no caso, de Cuiabá, considerei fatos e acontecimentos dos últimos oito anos na capital e em MT para escolher meus candidatos.
Pensando no coletivo, me vieram à mente a famigerada Lei da Pesca, iniciativa do governo que prejudicou os pescadores ribeirinhos; a flexibilização da legislação ambiental para beneficiar o agronegócio em detrimento do cerrado, Amazônia e Pantanal, além da total apatia governamental perante a crise climática.
Quanto à Cuiabá, pesaram no meu juízo as sequelas da relação governo x prefeitura na gestão Emanuel Pinheiro. A capital foi deixada de lado pelo estado (a saúde, principalmente) por birra de gestores, prejudicando investimentos na cidade. O que é imperdoável, goste-se ou não de um e do outro.
Mais condenável, porém, foi a mudança, por imposição do governo Mauro Mendes, sem ouvir a cidade, do sistema de transportes VLT pelo BRT na capital. Duvido que alguém ache um cuiabano feliz com essa troca! Esse fato arbitrário passou para a história da tricentenária Cuiabá como o maior deboche sofrido por sua população.
Também para fins de julgamento listei os imbróglios de nossos vizinhos que refletem nesta capital – a displicência do estado quanto à não preservação do morro de Santo Antônio (até agora em reparos sem fim), e as obras no Portão do Inferno, da estrada de Chapada dos Guimarães. Que confusão, hein!
Tem ainda o Parque Novo Mato Grosso, um empreendimento do estado, com recursos públicos de R$ 1,2 bilhão empenhados que, segundo dizem, será concedido à exploração da iniciativa privada, após finalizado.
Eu, confesso, ainda não o conheci, seja pela distância, obstáculos de mobilidade ou programação propriamente dita. Mas o considero surreal para a realidade de Cuiabá.
Nessa avaliação pessoal, deixei de lado conchavos da política local, acordos partidários enjambrados, controle e dinheiro dos barões do agronegócio, negociatas com prefeituras, esse mundo que chamam de político-eleitoral, mesmo sabendo que é daí que saem as candidaturas que os partidos e coligações nos impõem para votar.
Penso que quem tem memória ou pesquisa a história sabe quanto custa a luta pela democracia, pela soberania nacional e pelo bem-estar social. É nessa linha que votarei para governador de MT, senadores e deputados, além de presidente. Assim, me posiciono ao lado das candidaturas progressistas e de olho sempre no futuro.
Nas palavras do jornalista Ricardo Kotscho, nas eleições de 2026, “mais uma vez teremos que escolher entre a civilização e a barbárie, entre a inclusão ou a exclusão social, a democracia ou a autocracia familiar, a paz ou a guerra, o passado ou o futuro”. Significa, portanto, que não podemos devolver o país àquelas pessoas que nos legaram mazelas. Precisamos avançar!
Quanto a MT, vejo repetir-se aquela aliança política poderosa na qual mudam alguns nomes, mas segue-se defendendo causas e interesses fomentados pelo dinheiro que geram mais dinheiro a poucos grupos exclusivos. Precisamos mudar! Sobre nossos parlamentares no Congresso, também é hora é de renovar com representantes mais qualificados.
Àqueles que repararam que não exaltei os feitos administrativos no estado, não os fiz porque acho que governos têm o dever de promover investimentos públicos em prol das pessoas que os elegem e que pagam impostos. Não se trata de mérito, mas de obrigação!
De meu lado, vou votar pensando no melhor, e, sobretudo, no caso de MT, em eleger pessoas nas quais identifico traços culturais mato-grossenses rigorosamente essenciais à valorização do estado.
Torço para que em 4 de outubro os eleitores conterrâneos e do país votem com consciência, pois o que está em jogo nesta eleição não são apenas os quatro anos de mandato, mas o nosso futuro como país democrático e soberano.


























