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Os argumentos abaixo são do jornalista Philipp Lichterbeck, do site DW Brasil. São parte do artigo dele, O Brasil deveria ter orgulho do MST, publicado no último dia 26 de abril. Vale pela reflexão sobre estado de direito, democracia e os males brasileiros da desigualdade social. O mal que ronda o MST e que move a ação do movimento.
“O Brasil é um dos países com a pior distribuição de terras do planeta. Apenas 1% dos brasileiros detém mais da metade da área agricultável, enquanto os pequenos agricultores, que são três quartos de todos os produtores, detêm apenas 20%. E milhões de famílias não têm terra alguma.
É uma herança da era Colonial que, até hoje, pouco foi modificada, porque o poder dos fazendeiros segue intacto, e o lobby deles no Congresso e na Imprensa é muito forte.
A Constituição de 1988 permite a desapropriação e distribuição de terras improdutivas, mas a resistência é grande. Nos locais onde o MST conseguiu obter a posse de terras, pequenos agricultores produzem grandes quantidades de alimentos para a população brasileira, muitos deles orgânicos. Assim, essa “organização terrorista” se tornou o principal produtor de arroz orgânico da América Latina.
” Com meio milhão de famílias, o MST é hoje o maior movimento social latino-americano. E possivelmente também o mais bem-sucedido”
Com meio milhão de famílias, o MST é hoje o maior movimento social latino-americano. E possivelmente também o mais bem-sucedido. Os brasileiros teriam todos os motivos para valorizar o que o MST alcançou. Mas, em vez disso, muitos o encaram com ignorância, rejeição e até ódio.
O Brasil seria um país mais pacífico e rico se o campo tivesse uma estrutura democrática. E é por isso que a extrema direita tenta criminalizar o MST, agora criando uma CPI para investigar o movimento. É um espetáculo com um único fim: manter os privilégios de poucos”.
(Philipp Lichterbeck, DW Brasil)
























