A Corregedoria da Polícia Civil proibiu os delegados Henrique Trevisan e José Ricardo Garcia Bruno de falarem, na CPI da Saúde, sobre o esquema de corrupção investigado na Operação Espelho, deflagrada pela própria Polícia Civil.
Os dois delegados foram convocados para depor na CPI na última quarta-feira (03), mas surpreenderam os deputados que compõem a CPI quando afirmaram que não falariam nada durante o depoimento.
Segundo o advogado Ricardo Moraes de Oliveira, a corregedoria da Polícia Judiciária Civil apresentou um parecer em que proibia delegados de deporem na comissão.
“É uma imposição legal, eles falaram que seguindo uma orientação da própria defesa, que havia exposto essa situação a eles, a Corregedoria emitiu esse parecer, após algumas conversas, nesse sentido de que eles estariam inviáveis de se manifestarem a respeito desta investigação”, afirmou o advogado.
O argumento principal da corregedoria e da defesa dos delegados é de que o processo da Operação Espelho, que tramita na Justiça Federal, está sob sigilo, e o depoimento dos delegados poderia revelar informações sensíveis.
A Operação Espelho investigou um cartel de empresas médicas, que operavam na Secretaria Estadual de Saúde, responsáveis por fraudar licitação e superfaturar serviços durante a pandemia de covid-19. Uma das conversas interceptadas pela Polícia Civil aponta que médicos teriam sido colocados em uma das empresas por determinação do governador Mauro Mendes.
As conversas interceptadas também apontam que os empresários se reportavam diretamente ao secretário de Saúde, Gilberto Figueiredo, quando solicitavam a abertura de mais leitos para permitir que o comércio continuasse aberto.






















