Assessoria

Única sobrevivente do caso conhecido como Chacina de La Mané, Ivone Socorro da Silva foi a primeira a ser ouvida nesta terça-feira (18.04) no início do Tribunal do Júri, 22 anos após o crime. Sob forte emoção, ela relatou como tudo aconteceu no dia 08 de abril de 2001, quando o esposo, o filho de 8 anos e um sobrinho de 11 foram executados com vários tiros em uma estrada na região do bairro Pedra 90, em Cuiabá. “Quando o Cenoura (acusado) chegou, meu filho começou a rezar o Pai Nosso. Ele começou a rezar. Eu não lembrei de Deus nessa hora”, disse.
Ivone foi atingida por nove tiros na região da cabeça, nuca, nas costas e nos braços. Ela perdeu o movimento de uma das mãos e uma das balas ainda está alojada no antebraço. A vítima foi socorrida após caminhar durante horas até um posto de combustível, às margens da BR-364. Antes dos acusados fugirem com a caminhonete e o dinheiro das vítimas, eles ainda teriam se certificado que todos estavam mortos.
No depoimento, Ivone conta que como estava com o cabelo solto os assassinos acreditavam que tinham atirado em sua cabeça, mas os tiros atingiram o ouvido e a nuca, saindo pela boca. “Eles falaram: ‘atira, que ela está se mexendo’. Foram muitos tiros”.
Ela conta que quando percebeu que os suspeitos fugiram levando a caminhonete, com aproximadamente R$ 3 mil ou R$ 4 mil, em dinheiro, viu que o esposo, o comerciante Manoel Sebastião de Lima, 48 anos, o “La Mané”, e o sobrinho, José Davi Rodrigues de Lima, 11, já estavam mortos. O filho, Manoel Sebastião de Lima Júnior, 8 anos, ainda estava vivo.
“Quando eles foram embora, meu filho estava agonizando. Eu não tinha mão pra levantar meu filho. Uma mãe dá uma vida pelo filho e eu não podia fazer nada pelo meu. Levantei com o cotovelo, porque eu não tinha mão. Eu falei: ‘filho a mãe vai buscar socorro e volto’. Andei mais um pouco e tornei a desmaiar”, relatou a vítima.
Clébio José Machado, 46, é acusado de ter mandado Marquessimedice Corrêa dos Santos, 40, o Marcos ou Marquinho, e um cúmplice identificado como Cenoura, matarem o pai, a madrasta, o irmão e o primo. Para Ivone, a motivação seria por herança. “Não tenho mais filho, não tenho marido, não tenho nada. Acabaram com minha vida. Tem vezes que pergunto pra Deus por que eu fiquei viva”.
O Tribunal do Júri dos acusados teve início nesta terça e é conduzido pela juíza Mônica Catarina Perri Siqueira. Além da sobrevivente, foram arroladas pela acusação outras cinco testemunhas. A defesa de Marquessimedice indicou duas, mas uma pessoa já faleceu e a defesa de Clébio indicou quatro, sendo que uma não compareceu.
























