Os principais institutos de pesquisa do Brasil erraram feio nas eleições. Muita diferença entre os resultados que colheram nas ruas e o resultado das eleições. Com relação à votação do Lula, os erros foram menores: o Data Folha previu Lula com 50% dos votos válidos e ele teve 48,5%, portanto dentro da margem de erro. Mas não soube captar o movimento do eleitorado de Bolsonaro que teve muito mais votos do que indicava a pesquisa. O mesmo fenômeno ocorreu com o IPEC que previu Lula com 51% dos votos válidos e errou por 2,5% para mais. Quanto a Bolsonaro, da mesma forma, errou muito, bem distante da margem de erro.
Nos Estados os erros foram maioires ainda, principalmente em São Paulo e Minas Gerais e também nos resultados de senadores e governadores.
Essa introdução é para dizer que os institutos, todos eles, devem explicações ao público. Vão continuar fazendo pesquisas, mas e daí, a credibilidade?
Quando estive deputado federal e senador propus em Brasília que os institutos que divulgassem pesquisas fora da margem de erro deveriam ficar proibidos de realizar pesquisas nos próximos quatro anos, pois a estatística é uma ciência exata. É exatamente para defender a ciência que os institutos estão devendo uma explicação.
Em tudo isso teve um fato importante e relevante. Sempre defendi que divulgação de pesquisa não muda o voto de ninguém, não influencia nada. O eleitor vai lá e vota com a sua convicção. O resultado das urnas no primeiro turno presidencial provou isso. Sempre o que decide é a vontade soberana do eleitor.
Algumas conclusões óbvias:
– Maior derrotado neste primeiro turno, portanto, os institutos de pesquisa.
– Maior vitoriosa, as urnas eletrônicas, nenhuma contestação quanto aos resultados, no Brasil inteiro.
No mais é aguardar 30 de outubro. No primeiro turno, Lula teve vantagem superior a seis milhões de votos. A campanha agora será manter os seus e tentar atrair os eleitores de Ciro e Simone.
Já Bolsonaro vai correr atrás do PSDB de São Paulo para tentar aumentar a diferença lá e buscar o apoio do governador Zema em MG e do candidato ACM Neto na Bahia, a fim de reverter a situação.
Será o segundo turno mais longo da história. Grandes emoções.
Antero Paes de Barros é jornalista e radialista, foi vereador, deputado constituinte e senador da República























