Davi Valle

A Prefeitura de Cuiabá afirmou nesta terça-feira (19.04) que a rede municipal de saúde está próxima de um colapso em razão da falta de médicos nas Unidades de Pronto Atendimento (UPA) e Policlínicas da capital. Por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), a gestão informou que o último processo seletivo realizado fracassou e não conseguiu suprir a atual demanda de profissionais.
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A SMS justifica que no último seletivo para médicos, disponibilizou 414 vagas imediatas, sendo 300 vagas para clínico geral e as demais distribuídas pelas diversas especialidades médicas, mas que as vagas não foram preenchidas. “Passaram no processo seletivo apenas 88 médicos, sendo 75 clínicos gerais e 13 médicos especialistas. Destes 88 médicos classificados, assumiram os cargos apenas 50 clínicos gerais e 5 médicos especialistas. Contudo, dos 55 médicos que assumiram, 30 já faziam parte do quadro da SMS como contratados, e somente mudaram o vínculo para seletistas após o certame. Na prática, recebemos apenas 25 novos médicos na rede por meio do processo seletivo”, afirma a secretária municipal de Saúde, Suelen Alliend.
Conforme a secretária, com esse déficit de médicos, fracasso no processo seletivo, impedimento de novas contratações temporárias e término de contrato dos profissionais, a quantidade de profissionais está diminuindo a cada dia. “Por falta de equipe médica, houve a necessidade de bloquear 10 leitos de UTI no Hospital Pronto Socorro Municipal de Cuiabá, o antigo PS. Nosso medo é ter demanda de pacientes para UTI e que não podermos utilizar estes leitos porque não temos profissionais para trabalhar, o que pode levar os pacientes ao óbito”, comentou Suelen.
O Sindicato dos Médicos de Mato Grosso (Sindimed-MT), por sua vez, denuncia a falta de organização da prefeitura de Cuiabá em completar as escalas médicas de plantão para atender a população. Conforme a representação sindical, a prefeitura exonerou vários médicos, mas não teve agilidade para suprir a necessidade das UPAs e Policlínicas, deixando “furos” nas escalas de plantão.
“Tivemos acesso às escalas incompletas e ficamos chocados com o elevado número de falhas. Existem unidades com demandas altíssimas, onde deveriam ter três médicos para ser possível dar um atendimento de qualidade aos pacientes, mas normalmente tem apenas dois médicos, sendo que em muitos casos somente um médico está escalado”, afirma o presidente do Sindimed-MT, Adeildo Lucena.
Adeildo alerta que o sindicato tem recebido diversas reclamações de médicos que estão atuando na rede municipal de Cuiabá de que além das escalas incompletas, os emergencistas tem dificuldade para transferirem os pacientes para hospitais que tem os leitos de retaguarda para abrigar os pacientes após estabilização do quadro. “O que o Emanuel fez foi transferir os problemas do antigo pronto socorro de Cuiabá para as UPAs e Policlínicas, que hoje funcionam com escalas incompletas e acima da capacidade instalada. Sem leitos de retaguardas suficientes (velho problema em Cuiabá) muitas unidades têm superlotação com pacientes nos corredores”, afirma Lucena.
O sindicato pede que um concurso público seja realizado com urgência. “Está na hora do governo municipal obedecer a Constituição Federal e realizar o concurso público na Capital para que os direitos tanto dos médicos quando da população sejam respeitados. O Médico tem direito a uma carreira estabilizada com plantões pagos, condições de trabalho e a população a atendimento de qualidade quando procura a rede pública. Prefeito, exigimos Concurso Já”, cobra o representante da classe médica.
























