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A Polícia Federal (PF) divulgou nesta quinta-feira (14) a conclusão do 2º inquérito relacionado ao ataque contra Bolsonaro (sem partido) em 2018, durante campanha presidencial. De acordo com a investigação da PF, não houve mandante para a facada, tendo Adélio Bispo de Oliveira agido sozinho. Apoiadores do presidente, especialmente da ala fundamentalista, reagiram aos resultados da investigação.
Victório Galli, ex-deputado federal que presta apoio irrestrito a Bolsonaro nas redes sociais, defende a opinião de que o atentado teria sido orquestrado e patrocinado por “partidos de esquerda”, ideia descartada pelas investigações da polícia. Galli foi um dos participantes da caravana que foi de Mato Grosso à Brasília na semana passada integrar o ‘Acampamento dos 300’, evento de apoio a Bolsonaro em que uma ativista admitiu presença de armas.
“É claro que esse resultado da Polícia Federal está equivocado. Ele (Adélio) não ia fazer tudo aquilo sozinho. É óbvio. Tanto é que na mesma hora apareceram não sei quantos advogados de renome no país para defender o bandido. Por que o deputado Jean Wyllys renunciou e se mandou do Brasil? E não é só um. Vários partidos de esquerda estão por trás dessa facada”, afirmou em entrevista ao PNBonline.
Nesta semana, a Justiça determinou que Google, Yahoo e Microsoft, além de outras 21 plataformas, excluam páginas que expõem fake news ligando o ex-deputado federal Jean Wyllys (PSOL) a Adélio Bispo. A decisão foi da 40ª Vara Cívil do Rio de Janeiro, conforme apuração do colunista Ancelmo Gois, de O Globo. As plataformas tiveram 48h para cumprir a medida. Em caso de descumprimento, os responsáveis teriam que pagar um multa de R$ 50 mil.
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Além desta, a retórica de que a sobrevivência de Bolsonaro seria um milagre que justificaria suas ações à frente da Presidência voltou a ganhar espaço nas redes sociais. Apoiadores usaram mais uma vez o Twitter para atribuir o acontecimento a um sinal divino. “Se Deus permitiu esse homem ainda estar vivo… porque foi um milagre aquela facada. É porque Bolsonaro ainda vai nos mostrar o Brasil dos sonhos de todo brasileiro que ama sua família e sua pátria. Deus está no comando com ele. Observem como ele descobriu seus traidores (sic)”, afirma um perfil na rede social.
Para o deputado estadual Lúdio Cabral (PT), o uso religioso da facada pela ala conservadora é algo prejudicial à democracia. “É tudo muito ruim. O presidente da República não é Messias. O presidente da República é um ser humano que tem qualidades e defeitos, infelizmente mais defeitos que qualidades, e que precisa ser tratado como um ser humano que tem responsabilidade pública e não assumindo esse papel de falso Messias”, opina.
A cientista política Alair Silveira, doutora pela Universidade de São Paulo (USP) e professora na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), vê com preocupação o tipo de apoio suscitado pelo presidente. “Bolsonaro se coloca como vítima, como se não conseguisse governar e suscita apoios violentos. Ele inflama um movimento neofascista que é apoiado por um grupo de classe média, mas também de trabalhadores das mais diversas naturezas, quase sempre conservadores ressentidos ou fundamentalistas religiosos”, analisa.
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