O ex-governador Silval Barbosa revelou em sua delação premiada homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no mês passado que intermediou a compra do apoio de seu partido, o PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro) a candidatura de Mauro Mendes (PSB) a prefeitura de Cuiabá nas eleições de 2008. A delação do ex-governador foi homologada pelo ministro Luiz Fux.
Em um de seus depoimentos, Silval disse ter sido procurado por Mendes e pelo atual ministro da Agricultura Blairo Maggi (PP) pedindo para que ele intercedesse para que o PMDB apoiasse Mauro. O partido havia sinalizado que iria compor a coligação do candidato Wilson Santos (PSDB).
Vice-governador do Estado na época, o colaborador procurou pelo deputado federal Carlos Bezerra, presidente do PMDB, que cobrou uma oferta financeira para apoiar o então presidente da Fiemt (Federação das Indústrias de Mato Grosso).
“O colaborador se reuniu com o Carlos Bezerra, que hoje é deputado federal, pedindo para que o PMDB apoiasse Mauro Mendes, tendo Carlos Bezerra dito que apoiaria somente se Blairo Maggi e Mauro Mendes entregassem R$ 4 milhões de reais para o PMDB”, diz trecho da delação.
Segundo Silval, a proposta foi aceita por Maggi, que encarregou o seu ex-secretário de Fazenda Eder Moraes para fazer o pagamento. No documento é revelado também que para levantar a grande quantidade de dinheiro, Silval apresentou Eder ao empresário Júnior Mendonça, que fez o empréstimo no valor de R$ 3,3 milhões. “Nessa reunião em que o colaborador apresentou Eder Moraes para Junior Mendonça. Ele exigiu do colaborador uma nota promissória assinada pelo colaborador no valor de R$ 4 milhões para garantir o pagamento da operação, tendo o colaborador promissória e entregue a Junior Mendonça”, detalha.
Silval falou que os R$ 700 mil restantes foram conseguidos também por meio de empréstimo com a ajuda do ex-secretário executivo da Assembleia Legislativa, Tergivan Luiz de Morais, e do empresário Fernando Garutti, que são sócios em uma factoring. O empréstimo foi feito em nome de Junior Mendonça. “Tergivan emprestou tal valor para Junior Mendonça, tendo sido feita uma nota promissória com emissão de Junior Mendonça e aval do colaborador no valor de R$ 700 mil reais, que posteriormente foi resgatada por Junior”.
Em ambos os empréstimos, houve a assinatura de notas promissórias no nome do ex-governador Silval Barbosa, que também contou ter tido conhecimento que a divida no ano de 2009, avaliada em R$ 9,5 milhões foi paga através de um precatório da empresa Hidrapar Engenharia Civil Ltda, em que as pessoas responsáveis pela empresa em efetuar o retorno seriam os irmãos Alex e Kleber Tocantins. “O colaborador se recorda que teve uma reunião com Alex no gabinete da vice governadoria, tendo em vista que era vice governador do Estado, sendo que nessa reunião foi tratado com Alex Tocantins acerca da devolução da propina para Junior Mendonça visando quitar a dívida, sendo que não houve nenhum retorno para o colaborador, pois todo o valor do retorno R$ 9.500.000,00 foram repassados para Junior”, tendo Eder.
Esse esquema, segundo Silval Barbosa, deu início ao esquema de “conta corrente” paralelo operado por Junior Mendonça com a alta cúpula do Governo do Estado. Esse esquema foi objeto da “Operação Ararath”.
O ex-secretário Eder e os irmãos Tocantins foram condenados há 14 anos de prisão no mês de maio por conta de um esquema que teria desviado dinheiro do Governo do Estado por meio do pagamento de precatório.






















