O prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) participou nesta sexta-feira (15.09) de uma audiência pública na Câmara Municipal, proposta pelo vereador Luis Claudio, para discutir a questão da implantação do modal BRT em Cuiabá e Várzea Grande. Ele reafirmou sua posição contrária e revelou que o deputado federal Emanuelzinho está estudando a possibilidade de implantar o VLT apenas em Cuiabá, com o aval do Governo Federal.
“Emanuelzinho começou a articular em Brasília e estudar a viabilidade de, com o apoio do Governo Federal, implantar o VLT somente em Cuiabá. Se Várzea Grande mudou de ideia, nós vamos respeitar, mas nós não mudamos de ideia. Tudo será estudado. Emanuelzinho vai tentar realizar o sonho dos cuiabanos de ter o VLT”, comentou o prefeito.
Emanuel afirmou que desde 2011 defende a implantação do VLT em Cuiabá. “A implementação do BRT representaria um retrocesso para Cuiabá. Não podemos deixar passar esta oportunidade de transformar o transporte coletivo e a mobilidade urbana da nossa capital. Temos que acabar com o complexo de inferioridade de Cuiabá. Temos que nivelar por cima os serviços públicos para a população. Cuiabá não nasceu para ser liderada, nasceu para liderar. Temos sede de progresso, de modernidade. Defender BRT é reviver o passado, fazer uma maquiagem no transporte”, afirmou.
Durante sua fala, o deputado federal Emanuelzinho expressou sua preocupação sobre o futuro de Cuiabá e Várzea Grande com a implantação do BRT. “Estamos observando como a introdução do BRT está afetando negativamente Várzea Grande, devido à falta de planejamento adequado. Isso é algo que não podemos aceitar em Cuiabá, e eu gostaria que Várzea Grande também não enfrentasse esse problema. Estou empenhado em lutar para evitar que isso aconteça. Estamos estudando essa questão com o aval do governo federal e do governo estadual, buscando uma alternativa mais moderna e bem planejada para Cuiabá. O objetivo é trazer algo que já tenha um planejamento viável e, se for o caso, concretizá-lo. Acredito que o VLT é a melhor opção, pois, mesmo que pareça um passo atrás inicialmente, sua viabilidade ambiental, técnica e econômica é muito superior ao BRT”, declarou o deputado.
Emanuelzinho também demonstrou apreensão à possibilidade de venda dos vagões do VLT para o Governo da Bahia, e conclamou ao Governo do Estado que não realize essa transação, já pensando na possível utilização das composições na capital.
O vice-prefeito da capital e secretário municipal de Obras, José Roberto Stopa fez uma breve retrospectiva sobre as discussões acerca do modal a ser implantado e afirmou que racionalmente não se trocaria o VLT por BRT. “No governo Silval, houve uma extensa discussão sobre o modal de transporte, e a escolha foi o VLT. Recursos significativos foram investidos para modernizar nossa capital em direção a uma cidade sustentável. As obras começaram e depois foram interrompidas, deixando comerciantes prejudicados. O governo Pedro Taques também prometeu continuar com o VLT, mas optou por judicializar em vez de avançar nas obras e responsabilizar os envolvidos na corrupção. No governo atual, inicialmente, havia um forte apoio ao VLT, mas mudaram para o BRT em um curto período. Isso levanta a questão: por que a mudança tão rápida? Argumentaram que a passagem seria mais cara no VLT, o que não se confirma em outras cidades. Os comerciantes ao longo das avenidas onde o BRT seria implantado enfrentarão dificuldades novamente. Os ônibus do BRT possuem baterias que duram 7 a 10 anos, representando 50% do custo total. O VLT é muito mais durável, tornando-se a opção mais econômica a longo prazo. Grandes cidades nacionais e internacionais estão optando pelo VLT, enquanto Cuiabá segue outra direção. O VLT é uma escolha mais sustentável, e já temos os vagões disponíveis. Fica a pergunta: quais interesses estão por trás da escolha pelo BRT?”, indagou.
O vereador Luis Claudio, propositor da Audiência Pública, informou que analisou o traçado do BRT na cidade de Cuiabá, justamente para que não aconteça o que foi imposto à cidade de Várzea Grande. “Tentaram usar o mesmo projeto do VLT para o BRT, mas adicionaram um traçado sem que se realizasse uma discussão. O BRT vai subir a Getúlio Vargas, vai fazer o contorno no Choppão, vai descer a Generoso Ponce/Isaac Póvoas e vai ser concomitante ao serviço de transporte já em uso? Como vai se fazer o embarque? E a discussão nunca foi promovida. É feita à revelia”. Elencou ainda um total de 36 apontamentos dos técnicos da Câmara Técnica da Gestão Urbana e Ambiental da Prefeitura de Cuiabá.
Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT























