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ARQUIVOS QUEIMADOS

Prefeitura de VG quer retirar materiais de depósito da Secretaria de Educação antes de perícia

A pressa em retirar os arquivos e materiais chama a atenção diante do forte clima de desconfiança política que ronda o caso.

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Após o misterioso incêndio que destruiu parte do almoxarifado da Secretaria Municipal de Educação (SME) de Várzea Grande, localizado no bairro Marajoara, a Prefeitura municipal já se movimenta nos bastidores para esvaziar o local. O galpão foi alvo de chamas na noite da última quarta-feira (17) , exatamente uma semana depois que vereadores flagraram milhares de uniformes novos guardados e livros descartados na unidade. Até o momento, o Corpo de Bombeiros e a Politec não realizaram o laudo pericial que apontam as causas do sinistro.

O pedido de esvaziamento consta na Comunicação Interna nº 667/2026, emitida na última sexta-feira, 19 de junho, dois dias após o incêndio. No documento oficial, endereçado à secretária municipal de Educação, Maria Fernanda Figueiredo, o superintendente operacional do Sistema Escolar, Nelson Benedito de Campos Curado, solicita com urgência autorização para “retirada e remanejamento de bens e documentos” remanescentes no imóvel atingido pelo fogo.

O que diz a Prefeitura

Na justificativa do pedido, o superintendente afirma que, embora o incêndio tenha causado a “destruição total” do estoque e administrativo da Gerência de Patrimônio e do Setor de Manutenção, outras alas não foram consumidas pelo fogo. De acordo com a Prefeitura, setores como as salas de arquivo, almoxarifado de limpeza, informática e a sala dos nutricionistas não sofreram danos graves, registrando apenas avarias nos forros por conta do calor.

A administração argumenta que a estrutura do imóvel foi severamente comprometida e que o local está vulnerável, gerando riscos de novos desabamentos ou furtos. “A adoção das medidas ora solicitadas mostra-se necessária e urgente para assegurar a proteção dos bens públicos remanescentes e a continuidade das atividades administrativas”, justifica o superintendente no documento oficial.

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No Anexo I do pedido, a Prefeitura lista dezenas de itens que pretende retirar imediatamente, incluindo aparelhos de ar-condicionado, computadores, televisores, geladeiras, eletrodomésticos e um volume indefinido de “caixas box com arquivos e documentos” localizados no piso superior. Curado também pede autorização para recolher papéis soltos que ficaram em cima das mesas dos servidores.

Fiscalização antes do incêndio

A pressa em retirar os arquivos e materiais chama a atenção diante do forte clima de desconfiança política que ronda o caso. No dia 8 de junho, uma fiscalização surpresa liderada pelos vereadores Wender Madureira (Republicanos) e Kleberson Feitoza (PSB) localizou caixas lacradas contendo materiais escolares estocados há anos e cerca de 10 mil uniformes da gestão da prefeita Flávia Moretti (PL) que nunca haviam sido distribuídos aos alunos. Para piorar, os parlamentares descobriram que a Prefeitura sequer possuía um contrato formal de aluguel ou propriedade legal sobre o armazém que utilizava.

A denúncia sobre o “cemitério de uniformes” foi formalizada no Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), e o presidente do órgão, conselheiro Sérgio Ricardo, havia prometido uma varredura presencial no depósito nos dias seguintes. Contudo, o incêndio aconteceu antes que a auditoria fosse realizada.

A situação também expõe uma teia de influências políticas internas. A secretária de Educação, Maria Fernanda, que é quem deve autorizar ou não a retirada dos materiais, é irmã do vereador Carlinhos Figueiredo (Republicanos). Carlinhos era o principal articulador de uma CPI na Câmara para investigar suposta propaganda ilegal da prefeita Flávia Moretti justamente usando os uniformes escolares. O parlamentar silenciou sobre as investigações logo após sua irmã ser nomeada para comandar a pasta da Educação.

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Terceiro incêndio sob investigação

A destruição do depósito da Educação não é um caso isolado na atual gestão. Este já é o terceiro incêndio registrado em prédios públicos da Prefeitura de Várzea Grande desde que Flávia Moretti assumiu o Executivo municipal. Em outubro de 2025, um incêndio de grandes proporções atingiu o almoxarifado da Secretaria Municipal de Saúde, na Avenida Júlio Campos, destruindo equipamentos médicos. Em janeiro deste ano, o mesmo galpão da Saúde voltou a ser consumido por chamas.

Outro lado

O PNB Online também procurou a Politec e o Corpo de Bombeiros. Este último afirmou, via assessoria de imprensa, que a perícia é de responsabilidade da Politec. A Politec não enviou resposta sobre o assunto.

De acordo com a secretária de Comunicação de Várzea Grande, Paola Carlini, o pedido foi feito à Procuradoria de Várzea Grande e posteriormente será encaminhado à Politec, que avaliará a solicitação.

“Foi um pedido de autorização para a perícia para ver se a perícia pode liberar a polícia ou a GM a pegar lá dentro materiais que a Secretaria precisa e que não foram danificados”, afirmou a secretária. Carlini também afirmou que a secretária de Educação, Maria Fernanda Figueiredo, está à disposição para eventuais esclarecimentos.

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