Casa 603, Rua do Meio, Centro Histórico de Cuiabá. É o endereço onde a arquiteta, historiadora e professora universitária aposentada Ludmila Brandão se encontra diariamente com a argila e a arte. Ludmila fez uma bela trajetória acadêmica como professora e pesquisadora, referência de muitos estudos de cultura. E foi uma das fundadoras do Programa de Pós Graduação em Estudos de Cultura Contemporânea (ECCO), da UFMT. Em entrevista ao PNB Online ela conta como é o momento em que a ceramista encontra no processo de transformação da argila a satisfação pessoal, sem as pressões e urgências da vida cotidiana.

“Eu nunca fiz cerâmica pensando em me tornar artista. Não tenho essa preocupação. O que eu gosto mesmo é de perseguir algumas formas de encontrar essas formas, para minha própria satisfação de olhar e ver aquele objeto nascendo”, explica Ludmila Brandão.
O primeiro encontro com a argila foi ainda durante o doutorado na PUC em São Paulo. “Eu notei que era uma atividade que dava muita tranquilidade, fazia o contraponto ideal ao trabalho intelectual. Excessivamente intelectual. Não é à toa que todas as atividades artesanais são indicadas como terapia”.
Na época, a doutoranda e já professora acreditava que conseguiria conciliar a pesada rotina do trabalho e a prática artística com a cerâmica. “Eu achei que ia continuar fazendo mesmo naquela época, mas eu vi que não dava. Então guardei para depois e sempre ficou essa coisa de querer fazer”.
O reencontro com a argila veio logo após a aposentadoria de professora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Foi quando Ludmila Brandão intensificou a sua arte e passou a fazer também esculturas, além dos utilitários.
Instigada pela curiosidade de ver o resultado do processo de transformação pelo qual a argila passa até se transformar em uma escultura ou utilitário (xícaras, bandejas, canecas, entre outros) ela também passou a fabricar os próprios esmaltes que usa para finalizar as peças.
Assim como na cerâmica, a vida da ceramista também passou por transformações. A casa onde hoje está o ateliê foi adquirida por Ludmila em 2019, quando ela iniciou o que dois anos depois resultou no “Memórias de um Restauro”. Projeto que apresentou o processo de recuperação desse espaço que sobreviveu ao tempo.
Apesar de evitar o título de artista e se apresentar como ceramista, o trabalho mais recente de Ludmila Brandão foram os troféus para a 22ª edição da Mostra de Audiovisual Universitário e Independente da América Latina (MAUAL) do Cineclube Coxiponés. As demais esculturas e utilitários estão disponíveis na Casa 603, Rua do Meio, Centro Histórico de Cuiabá.
Julia Munhoz* é jornalista do PNB Online e doutoranda do Programa de Pós-graduação em Estudos de Cultura Contemporânea (ECCO/UFMT).

























