
Dois curtas-metragens produzidos em Mato Grosso recorrem à memória familiar para revisitar a ditadura militar e suas marcas no estado. “Waldir Bertúlio: Um griô entre nós” e “Seu Fiuza”, exibidos recentemente no Cine Teatro Cuiabá, partem de relações pessoais para construir narrativas sobre um período de repressão e silenciamento.
Dirigido por Maria Clara Bertúlio, “Waldir Bertúlio: Um griô entre nós” acompanha a trajetória do personagem-título a partir da relação com a filha. O filme mobiliza a ideia de griô, ligada à tradição oral africana, para tratar da transmissão de saberes e da preservação de memórias fora dos registros oficiais.
Já “Seu Fiuza”, de Lívia Fiuza, reconstrói a história do jornalista Rubens Fiuza por meio do vínculo com a neta. A narrativa aborda a atuação dele durante a ditadura, quando utilizou o jornalismo como ferramenta de denúncia, e incorpora a cegueira como elemento central do relato.
Em comum, os dois filmes evitam uma abordagem institucional do período e privilegiam experiências individuais. O recorte aproxima o espectador de trajetórias atravessadas pela repressão, ao mesmo tempo em que evidencia lacunas na memória histórica local.
As produções também dialogam com a ideia de apagamento. Ao registrar histórias pouco difundidas, os curtas tensionam a ausência de determinados personagens e experiências nos relatos sobre a ditadura em Mato Grosso.
Os dois trabalhos incluem recursos de acessibilidade. “Waldir Bertúlio: Um griô entre nós” tem Libras e legenda descritiva. “Seu Fiuza” conta com legenda descritiva e audiodescrição.

























