Em 2012 eu escrevi um poema para um poeta. Atrevida, pois não era um poeta qualquer: Ivens era um imortal. E também era médico e já salvara tantas vidas. E me garantia juventude eterna, pois dizia que pra ele eu teria sempre 18 anos, já que era a minha idade quando nos conhecemos.
E publicou uma foto desta flor nascida no concreto, no mesmo dia em que também passei por ela e fotografei, com poucas horas de diferença.
Fiz o poema pra ele logo após o evento de lançamento do livro “A mamãe das cavernas e a mamãe loba”. Ele escrevia sempre tão bonito para as crianças.
Hoje o Ivens se foi e eu já não tenho mais 18 anos. Mas sei que o touro azul come sal na mão dele também. E este era o poema, com versos livres, como livres sempre quisemos ser:
Passeio (nov/2012)
Hoje saímos
com nossas crianças
para celebrar
o novo livro
do Ivens.
E tinha cheiro de pipoca
e pipoca
e a arca de Toquinho e Vinícius tocando
e picolé
e guaraná cuiabano
e pirulito
e bala.
E o Caio sorriu
e o Lorenzo chupou pirulito
e a Dominique se portou feito moça.
E a Alice se derreteu no picolé
até ninguém saber mais
onde acabava o picolé
e começava a menina
pintada de suco vermelho e roxo.
E feliz.
E tinha a loba do livro
espreitando seus filhotes
como nós, as lobas bobas
de olhos correndo em volta
tentando sempre abraçá-los
protegê-los
do lado feio e malvado
do mundo.
E desejando que a vida
fosse poesia e leveza
como nos livros do Ivens.
(Vai em paz, amigo)


























