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Garimpo ilegal é responsável por 83% dos casos de malária em MT

Pesquisa traça o cenário epidemiológico da doença em áreas de garimpo na Amazônia Legal entre 2011 a 2023.

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Garimpo ilegal é responsável por 83% dos casos de malária em MT (Foto: PF).

Desmatamento, conflitos territoriais, ocupação irregular, ameaças a indígenas e contaminação por mercúrio são algumas das consequências desastrosas do garimpo. Como todos os estados da Amazônia Legal, Mato Grosso, entretanto, também enfrenta um risco adicional: a malária. Apenas em 2024, a atividade ilegal foi responsável por 83% dos casos da doença transmitida pela picada da fêmea infectada do mosquito anopheles, conhecido como mosquito-prego.

Um estudo da Universidade de Brasília (UnB), publicado nesta segunda-feira (24.06), na Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, mostra como o aumento no número de casos nos estados de Mato Grosso e Rondônia está associado diretamente à atividade garimpeira. A pesquisa traça o cenário epidemiológico da doença em áreas de garimpo na Amazônia Legal entre 2011 a 2023, e propõe estratégias para o controle da incidência da doença na região, a partir da revisão da literatura dos principais estudos sobre o tema.

A publicação, intitulada Malaria in areas under mining activity in the Amazon: A review, indica que há uma heterogeneidade significativa na prevalência de malária em áreas de mineração de ouro no norte de Mato Grosso, mas também em outras regiões do estado. Em outras palavras, a taxa de infecção pela doença não é uniforme: em algumas áreas, a prevalência da malária pode ser muito alta, enquanto em outras pode ser relativamente baixa.

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Entre 2007 e 2022, houve 358.774 casos de malária relacionados à garimpagem em todo o Brasil, dos quais 9.976 ocorreram no estado do Mato Grosso. Embora a garimpagem seja a atividade com o maior número de casos, a agricultura (3.902 casos), a exploração vegetal (2.084 casos) e a caça e pesca (1.133 casos) também apresentaram números significativos no mesmo período.

Dados do Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Malária (Sivep-Malária), do Ministério da Saúde, indicam que a incidência da doença em áreas de garimpo permaneceu alta em Mato Grosso nos quatro primeiros meses de 2024. Ao todo, foram registrados 456 casos, sendo 381 relacionados à atividade garimpeira entre janeiro e abril deste ano.

Os municípios mais afetados foram Pontes e Lacerda (33 casos), Colniza (34 casos), Conquista D’Oeste (56 casos) e Vila Bela da Santíssima Trindade (256 casos), este último concentrando sozinho 56% dos registros. O pequeno município, com uma população de pouco mais de 16 mil habitantes, abriga jazidas de ouro que têm sido alvo de exploração por mineradoras e garimpeiros.

O estudo destaca ainda que a maioria dos infectados são homens jovens, com idades entre 15 e 29 anos, que constituem a maior parte dos envolvidos no garimpo ilegal. Estes trabalhadores estão mais expostos à doença devido às condições de trabalho, como a proximidade de criadouros de mosquitos, áreas desmatadas e corpos d’água onde os vetores se proliferam.

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Ao mapear as áreas de garimpo impactadas pela malária, a pesquisa traz resultados que podem orientar ações de vigilância e de controle da doença na Amazônia. “Conhecer as áreas prioritárias e a dinâmica da doença é essencial para direcionar melhor as ações”, afirma o pesquisador Pablo Sebastian Tavares Amaral, um dos autores do estudo. Ele ressalta que, por serem ilegais, as áreas de garimpo têm pouca estrutura de saúde, o que dificulta o tratamento para a doença.

O estudo também destaca a necessidade continuidade das estratégias de intervenção, melhoria das notificações de casos e maior integração de esforços entre setores de saúde, ambiental e agrícola para abordar de forma mais ampla a prevenção e controle da malária.

“As áreas de mineração exigem abordagens específicas adaptadas aos padrões de movimento, aos comportamentos de busca de saúde e às características ambientais do local onde ocorre a exposição. É necessária uma abordagem integrada que consista em investigação qualitativa e quantitativa para identificar onde são necessárias ações de controle”, concluem os pesquisadores.

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