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E o ovo, hein?

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E ovo, hein? Seu aumento em 40%, iria dizer, já está na boca do povo. Mas, a frase poderia soar como ironia e jamais foi esta minha intenção. Até porque, com os novos preços, “a mistura branca, que fica na porta da geladeira”, como diria uma amiga, tende a ser menos degustada (frita, mexida ou em forma de omeletes, gemadas ou panquecas, entre outras inúmeras receitas. Na verdade, cada vez mais longe da boca do povo).

Pois é, ainda faltam cinco dias para o Carnaval e, com este aumento, já conseguiu, ao lado do café, ser eleito o novo vilão da alimentação brasileira (não sei é impressão minha, mas nossa economia nunca titubeia em nos apresentar um aumento repentino).

Estranho, porque normalmente o aumento é provocado pela falta do produto para ser vendido, mas não é essa realidade do setor produtivo nacional de ovos. A produção vem crescendo ano a ano desde 2013. Saltou de 34,12 bilhões de unidades para 52,4 bilhões em 2023, estimativa de 57,6 bilhões em 2024 e projeção de 59 bilhões neste ano de 2025 da Era Comum.

O consumo anual per capita, revelam os números, também tem aumentado. No mesmo período (2013-2023), de 168 para 242 unidades, tendo chegado a 251 em 2021 e 257 em 2022. Não sei o porquê, mas esperam um consumo de 272 unidades para este ano. Só se os preços voltarem ao normal, arrisco dizer. Ou quando a produção norte-americana, hoje comprometida por causa da gripe aviária (que apenas em janeiro deste ano, leio, vitimou 18,8 milhões de poedeiras), voltar ao normal. Por lá, a crise de abastecimento não só triplicou o preço da dúzia (de US$ 2,91 para US$ 8,35) como gerou uma expectativa de queda no consumo per capita (284 unidades em 2022 para pouco mais de 207 neste ano).

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Assim como aconteceu há pouco tempo com a carne bovina, cujos preços dobraram da noite para o dia, a atual situação norte-americana pode se transformar num déjà vu. Em janeiro deste ano em relação ao ano passado, por exemplo, eles aumentaram em 33% a importação de ovos brasileiros. Espera-se que estacione por aí.

Sim, porque poder aquisitivo por poder aquisitivo, o dos cidadãos estadunidenses é bem maior que os dos brasileiros. Enquanto por lá, o salário médio gira em torno de 60 mil dólares anuais, por aqui está em torno de 38 mil reais. Se mesmo no já desvalorizado real já é bem menor, quando convertido chega a dar dó. Pelo câmbio da manhã desta segunda-feira (24.02), fica em 6,63 mil dólares ou pouco mais de 10%. Guardadas as devidas proporções do custo de vida em cada país, por lá a linha da pobreza para uma pessoa solteira gira em torno de pouco mais de 15 mil dólares

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L’Etat c’est moi (Eu sou o estado). Luiz XIV, dito autor desta frase, queria apenas confrontar o parlamento. Já o Donald, o Trump, quer mudar para l’etat (et le monde) c’est moi. Não só quer ter a última palavra no país onde governa como em todo o mundo. Quer anexar o Canadá, a Groelândia e construir um resort em Gaza, expulsando os palestinos. Agora, quer processar o Alexandre de Moraes, baseado na Primeira Emenda da Constituição dos EUA, por uma decisão tomada no Brasil.

Jairo Pitolé Sant’Ana é jornalista

* A opinião do articulista não reflete necessariamente a opinião do PNB Online

Publicado em A Gazeta, de Cuiabá, pag. 2, nesta segunda-feira 24.02

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