O deputado estadual Gilberto Moacir Cattani (PL) foi direto ao ponto em entrevista para o jornalista Antero Paes de Barros, nesta semana, na Rádio Cultura. O deputado do chamado bolsonarismo raiz disse que tem dois candidatos ao Senado para as duas vagas em disputa nesta eleição de 2026: o deputado federal José Medeiros e o empresário Antonio Galvan, ex-presidente da Aprosoja. Ou seja, Cattani não apoiará a candidatura do governador Mauro Mendes (União) ao Senado.
Cattani expressou um sentimento latente entre os bolsonaristas de rejeição à candidatura de Mauro Mendes ao Senado. Na entrevista ao jornalista Antero Paes de Barros, o deputado afirmou que respeita o governador, mas tem várias discordâncias, administrativas e ideológicas. Segundo o parlamentar, para o bolsonarismo os melhores nomes são os de Medeiros e Galvan.
Essa é a tensão que marcará as candidaturas do campo da direita e da extrema-direita até a eleição. A pergunta que não quer calar sobre esta junção: vai dar liga ou fadiga de material? Para os bolsonaristas mais radicais, sim existem mais radicais, o melhor dos mundos é ter uma dobradinha ao Senado “sangue puro”, com dois nomes que tem trajetória e posições caras à extrema-direita. Para estes bolsonaristas, Mauro Mendes faz parte daquilo que o ex-presidente Jairo Bolsonaro nominou de “direita limpinha”. Ou seja, a direita limpinha é formada políticos que cortejam Bolsonaro e sonham com o seu apoio, mas não assumem publicamente a defesa intransigente do ex-presidente e nem assumem publicamente as posições da extrema-direita.
Não parece, mas é: a rejeição dos bolsonaristas à tal direita limpinha é quase tão forte quanto a rejeição que nutrem pelo PT. Temem que os candidatos da direita usem e abusem do prestigio eleitoral de Jair Bolsonaro e depois descartem o Mito e descartem os ideais da extrema-direita.
A cobrança aos políticos da direita limpinha é fazer uma confissão de fé em Bolsonaro e nos valores radicais da extrema-direita. Uma declaração pública das crenças radicais. Uma forma de testemunhar este credo em Jair Bolsonaro e de mostrar compromisso pessoal com ele. Este movimento de ajoelhar e adorar o Mito precisa ser público, e ainda assim não confere direito automático e divino de ser aceito pelos seguidores. É preciso que o próprio Bolsonaro estenda a mão e abençoe o político da direita limpinha convertida ao extremismo e à adoração ao Mito.
Cattani é um bolsonarista que não acredita na conversão para valer de Mauro Mendes. Como homem do campo, ele prefere cultivar as candidaturas que tem raiz, são legítimas do bolsonarismo. Por isso, mesmo que Bolsonaro venha a declarar apoio a Mauro Mendes, ele vai trabalhar pelos seus: Medeiros e Galvan. A conferir o quanto esta percepção se tornará majoritária entre os eleitores/seguidores de Bolsonaro em Mato Grosso de agora até 2026.





















