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Como será amanhã?

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Reza a lenda que os primeiros 100 dias de um governo (federal, estadual ou municipal) é o termômetro de sua trajetória até o final do mandato. Li nest’A Gazeta que, aqui em Cuiabá, este período do atual prefeito, completado na quinta-feira da semana passada, foi tratado com “silêncio, paciência e afagos”. O único a não seguir o coro foi o seu adversário no segundo turno da eleição do ano passado, o deputado estadual Ludio Cabral. Faz sentido, se considerado apenas os políticos com mandatos ou em cargos de confiança, porque parece que não foi apenas ele. Entre anônimos “animais políticos” (segundo definição do filósofo Aristóteles), sejam ricos, remediados ou pobres, há claramente quem corrobore as críticas ludianas e tenha as próprias (críticas).

Conheço um desses! Morador de uma pequena “vila” de um tradicional bairro cuiabano, profissional do tipo faz-tudo, tão comum atualmente, é dono de um kadett 1989, que lhe dá sustento. Ele garante que o carro está novinho e seria econômico, não fossem as despesas com novos pneus e, às vezes, com rodas danificadas pelas dezenas de milhares de buracos espalhados pelas ruas da capital. “Uns dizem 40 mil, enquanto a atual administração fala em 30 mil, garantindo que sete mil foram tapados. Por esta conta só faltariam 23 mil. Se mantiver a média atual, mesmo assim ainda precisarão de mais de 200 dias para todos serem tapados … até serem reabertos pelas próximas chuvas”.

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“Aliás”, continua, “tenho ouvido no rádio que o atual prefeito não sai da Câmara dos Vereadores. Vai lá tudo que é santo dia, como se ainda fosse um deles. Não seria melhor se ele estivesse nas ruas? Talvez visse mais de perto o caos em que vive a cidade. Tem mato para tudo quanto é lado e, sem trocadilho, é mato grosso mesmo, não é graminha, não. Em algumas ruas, chega a interferir em nossa visibilidade. Ah! A chuva continua provocando alagamentos e quedas de árvores, como a que caiu no dia do 306º aniversário de Cuiabá. Mas se antes se culpava o excesso de água desabando, hoje ela recai sobre a população, por jogar entulho nos bueiros. Simples, né?”.

O anônimo mantém a língua destravada e, como diria antanho, eivada de ironia. “Cuiabá é tratada como uma metrópole. Seu centro histórico, tombado definitivamente em 1993 pelo IPHAN, se degrada ano a ano. Casarões centenários e bicentenários, que em metrópoles de além-mar (e algumas daqui, embora em menor escala) se transformam em lojas de grifes, aqui são abandonados (alguns até desabam) ou se transformam em moradias de “noiados”, que, por falta de políticas públicas de acolhimento de vulneráveis, usam o que aparece. Mesmos os casarões preservados quase não podem ser fotografados. Montanhas de fios pendurados desorganizadamente entre postes impedem os turistas de “registrar uma lembrança”.

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Voltando aos 100 dias. Com os primeiros foram, como dizem os próprios aliados, de ficar olhando pelo retrovisor, se mantiver a lenda, o restante tende a ser como vem sendo. Nada além de uma simples ilusão. Para quem fez esta escolha, registre-se.

Publicado nesta segunda-feira, 14.04.25 em A Gazeta, de Cuiabá.

Jairo Pitolé Sant’Ana é jornalista

* A opinião do articulista não reflete necessariamente a opinião do PNB Online

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