A Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara Municipal de Rondonópolis decidiu acionar o Poder Judiciário para obrigar o presidente do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT), Diogo Leite Sampaio, a prestar esclarecimentos sobre supostas irregularidades na Santa Casa de Misericórdia do município.
A decisão foi tomada nesta terça-feira (22.04) após a segunda ausência do médico, mesmo após reconvocação, frustrando a expectativa de investigar denúncias de uma possível “máfia dos médicos” no hospital.
A acusação da existência de uma máfia dos médicos na Santa Casa foi feita pela ex-diretora da unidade, Bianca Thalita Santos Franco, em depoimento à CEI na última terça-feira (15.04). Ela afirmou que empresas ligadas a médicos que eram membros da irmandade acabam recebendo prioridades nos pagamentos e também relatou direcionamento de pacientes do sistema da Santa Casa para unidades particulares.
A ex-diretora também revelou suposto uso político da unidade pela atual secretária de Saúde, Tânia Balbinotti, esposa do empresário Odilio Balbinotti.
Ausência e Justificativas
O médico Diogo foi convocado por ter declarado publicamente que possui informações relevantes para a CEI, que investiga falhas na gestão e possíveis esquemas de corrupção na Santa Casa. No entanto, ele não compareceu à sessão desta terça-feira (22) e, na primeira convocação, alegou que a Câmara não teria competência para investigar o CRM.
A CEI, no entanto, rebateu o argumento, afirmando que não está investigando o CRM, mas sim buscando informações que o presidente do Conselho possa ter sobre má conduta de médicos e irregularidades em contratos na Santa Casa.
Além de Diogo, quem deve prestar depoimento nesta terça é o advogado Leonardo Rezende, convocado para esclarecer suposta acusação de tráfico de influência na gestão do hospital.

O que está em jogo?
A CEI foi instaurada após denúncias de superfaturamento, desvios de recursos e até suspeitas de um esquema que controlaria escalas e contratos médicos na Santa Casa – estrutura que ficou conhecida como “máfia dos médicos”. O presidente do CRM, por sua posição estratégica, poderia esclarecer possíveis omissões ou conluios envolvendo profissionais da saúde no caso.























