Pré-candidato à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta quarta-feira (29.09) em entrevista ao jornalista Pedro Pinto de Oliveira, do site PNB Online, que há um movimento da imprensa nacional pela construção de uma terceira via, os adeptos do “nem Lula, nem Bolsonaro”.
Durante entrevista na rádio Capital FM, Lula defendeu que os partidos políticos brasileiros lancem os próprios candidatos, aumentando assim as opções dos eleitores. Para ele, a polarização política é danosa, e citou que na “guerra política” travada com o PT no passado, o PSDB “acabou”.
O ex-presidente do Brasil também comentou sobre o comportamento do pré-candidato à Presidência da República Ciro Gomes (PDT) que, para Lula, estaria fazendo ataques ao PT após participar do governo como ministro e ser seu amigo pessoal. “Não sei quem ele está querendo agradar”, avaliou.
Confira abaixo:
PNB Online – Existe a construção de uma narrativa do ‘nem Lula, nem Bolsonaro’, em uma tentativa de igualá-los. Em oposição a esse ‘nem, nem’, qual a principal distinção que o senhor acha que precisa ser feita pelos brasileiros entre Lula e Bolsonaro?
Lula – Sabe o que acontece? Seria mais prudente se os partidos políticos lançassem candidatos a presidente, apresentassem um programa para o Brasil, um projeto de política de desenvolvimento industrial, uma proposta para acabar com a fome, com o desemprego nesse país ou invés de ficar dizendo ‘nem fulano e nem beltrano’. A
Tentaram o Huck, agora estão tentando o Datena e é como se estivesse fazendo um Enem para procurar um candidato
mesma música. E quem defende essa música? A Globo defende essa música, a Record, o SBT, a Bandeirantes, o Estadão, a Folha, a Veja. Ou seja, me parece que pela primeira vez na história do país, a imprensa está procurando um candidato.
Já tentaram o Huck, agora estão tentando o Datena e é como se estivesse fazendo um Enem para procurar um candidato, quando tudo poderia ser resolvida da forma simples. Obviamente que o povo não tem que querer nem Lula, nem Bolsonaro, nem Ciro e nem quem quer que seja. O povo tem que ter o direito de escolher. Então, cabe aos partidos políticos lançar candidatos. Vamos deixar o povo livremente ir à urna eletrônica e escolher quem será o futuro presidente do Brasil. É assim que deveria proceder, e não ficar do lado de fora reclamando que só jogam os dois.
Quando disputava o PT e o PSDB, vocês estão lembrados? Diziam que precisava acabar com a polarização, mas acabaram com o PSDB, porque o PT continua na polarização porque o PT é o mais importante partido político desse país. Não é à toa que o PT foi o segundo em 89, o segundo em 94, o segundo em 98, 2002, o primeiro em 2006, o primeiro em 2010, o primeiro em 2014 e o segundo em 2018 com o Lula na prisão. Eu acho que as pessoas precisam compreender: fortaleçam os seus partidos, divulguem os seus partidos. Façam programas para o povo de Cuiabá, para o povo de Mato Grosso, para o Brasil e vamos à disputa, para que a gente possa consolidar a política, os partidos e a democracia.
PNB Online – O pré-candidato do PDT, Ciro Gomes, tem feito críticas duras ao PT e ao senhor. Acredita que esses ataques chegaram ao ponto de que não possa haver nenhum acordo futuro?
Lula – É uma pena que o Ciro esteja tendo esse comportamento. O Ciro foi ministro, o Lupi foi ministro, o PDT esteve dentro do governo, temos uma relação de
Diziam que precisava acabar com a polarização, mas acabaram com o PSDB, porque o PT continua na polarização como o mais importante partido político desse país
amizade muito grande. O Ciro já foi candidato outras vezes (2002 e 2018), ou seja, antes também, e ele nunca fez acusações ao PT. É um comportamento que está levando o Ciro para um isolamento. Eu não sei quem ele está querendo agradar nesse instante, se ele está querendo os possíveis votos que Bolsonaro vai perder. Mas é um problema dele. Em política a gente colhe aquilo que a gente planta…
Eu acho que o Ciro está agindo equivocadamente do meu ponto de vista, mas ele acha que tem que ‘bater’ e é compreensível pelo seguinte: os adversários do “nem, nem” eles têm a ideia de que o Bolsonaro está morto, coisa que eu não acredito porque quem está na presidência nunca está morto na política, pode se recuperar porque tem a caneta e pode fazer muita coisa. Então, eles partem do pressuposto de que se a gente ficar só batendo no Bolsonaro, o Lula pode ganhar no primeiro turno, então temos que bater muito no Lula também. Essa que é a lógica. Então, eu estou preparado para isso.
Não é a primeira vez que eu sou candidato. Já fui candidato em 1989, 1994, 1998, 2002, 2006… ou seja, eu estou muito calejado. Quando inventaram aquele filme tartaruga ninja, aquele cascão que elas têm, eu tenho nas costas de tanta bordoada que eu já tomei. Eu tô tranquilo, e acho que quem não está muito tranquilo é o companheiro Ciro Gomes que não sei onde ele quer chegar.
No vídeo abaixo você assiste à íntegra da entrevista à Rádio Capital FM:






















