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O ministro da Agricultura Carlos Fávaro anunciou nesta quinta-feira (06), em suas redes sociais, a pesquisadora Silvia Maria Fonseca Silveira Massruhá como a nova presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA). Ela é doutora em Computação Aplicada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e ingressou na empresa pública de pesquisa em 1989.
A indicação de ministro tem três componentes de força:
– A nomeação de uma mulher para comandar a pesquisa científica pública na área do agro;
– A recuperação da ciência como instrumento a favor dos produtores rurais, depois de quatro anos de descaso do governo Bolsonaro;
– Passo promissor para o que promete ser uma verdadeira revolução na produção de Mato Grosso: a implantação de um projeto sério de incentivo à fruticultura. O Caju e a manga poderão ser a redenção econômica de municípios que estão hoje fora do mapa da riqueza do agronegócio no estado. A fruticultura como geradora de riqueza, empregos e oportunidades.
No seu discurso de posse no ministério, Fávaro já tinha confirmado o seu compromisso em fortalecer a Embrapa, empresa referência na pesquisa pública na agropecuária. Ele nomeou recentemente um grupo de pesquisadores para estudar as medidas que possam dar resultados práticos para o avanço da produção brasileira:
“A Embrapa completa 50 anos em 2023 e é muito importante olharmos os próximos 50 anos: o que estaremos produzindo e de que forma estaremos produzindo e qual o papel da Embrapa para que isso aconteça com mais eficiência e o Brasil continue sendo esse grande líder mundial na produção de alimentos”, destaca o ministro Carlos Fávaro.
O objetivo do grupo criado é identificar demandas, avaliar as limitações do atual modelo e apresentar propostas para o aprimoramento do Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária (SNPA). O Grupo vai debater novas tecnologias para indicar à nova diretoria da Embrapa e ao governo do presidente Lula caminhos para que a Embrapa se modernize, seja mais ágil, mais eficiente e continue cumprindo seu papel de vanguarda.
Instalação da Embrapa Fruticultura em Várzea Grande
Em termos de Mato Grosso, um compromisso de Fávaro, feito durante a campanha em 2022, junto com o então deputado federal Neri Geller, é implantar em Várzea Grande uma base da Embrapa Fruticultura. A presença da instituição será importante para o desenvolvimento da produção de fruticultura no estado, ainda muito incipiente, apesar do grande potencial, em especial nos municípios da Baixada Cuiabana.
“A Embrapa completa 50 anos em 2023 e é muito importante olharmos os próximos 50 anos: o que estaremos produzindo e de que forma estaremos produzindo”
A fruticultura pode viabilizar a atividade de pequenos produtores e a atração de grandes investimentos de importância agroindustrial, com seus plantios associados às fábricas de polpas, sorvetes e sucos que absorvem parte da produção. O caju, por exemplo, além da produção de sucos, tem grande valor econômico para grandes produtoras e exportadores da castanha de caju e do óleo de castanha (LCC).
Um exemplo de potencial desperdiçado: hoje na Europa, uma manga é vendida nos supermercados a 2 euros a unidade. Uma fruta típica dos quintais cuiabanos, produção artesanal, e que por enquanto só os poetas e artistas plásticos exploram esteticamente. Um levantamento feito na gestão do então prefeito Wilson Santos, em 2006, a cada safra, 500 toneladas de manga eram recolhidas nas ruas de Cuiabá pela limpeza urbana. Ou seja, 500 toneladas de riqueza econômica jogadas no lixo a cada ano. A produção industrial da manga atualmente está concentrada no Semiárido Nordestino, grande responsável pelos números expressivos da produção da manga nacional. O equivalente a 86% de toda produção de manga do Brasil em 2020.
Do Buraco da Memória: Blairo e o futuro
Nos anos 1990 este repórter conversou com o produtor rural Blairo Maggi, já apresentado naquela ocasião na mídia como o “rei da soja”, sobre qual seria o futuro da produção de Mato Grosso, para além da soja e do algodão. Direto ao ponto, Blairo respondeu: “a fruticultura”. A conferir se o futuro vai, enfim, chegar, já que agora reúne condições excepcionais, no âmbito do governo federal, para o início de um grande projeto de desenvolvimento da fruticultura: o compromisso político do ministro da Agricultura; uma Embrapa fortalecida e com uma nova presidência. O mapa da revolução da fruticultura em Mato Grosso parece ganhar um contorno que incluirá os municípios carentes de uma nova vocação econômica e os pequenos produtores, a base primária da cadeia produtiva da fruta.
A nova presidente da Embrapa
Nas suas redes sociais o ministro Carlos Fávaro destacou a competência da doutora Sílvia Massruhá:
“Silvia preenche todos os requisitos e terá a minha indicação para a presidência da Embrapa, sendo a primeira mulher a assumir o cargo”, disse Fávaro.
O brilhante currículo da nova presidente da Embrapa
Doutora em Computação Aplicada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (2003) (Inpe); mestrado na área de Automação pela Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (1996) da Unicamp e graduação em Análise de Sistemas – Pontifícia Universidade Católica de Campinas (1988). Desde 1989 é pesquisadora da Embrapa nas áreas de Informática Agropecuária e Agricultura Digital. Tem liderado projetos na área de engenharia de software, inteligência artificial e computação científica aplicada à agricultura. Nos últimos anos tem também participado do movimento de Agtechs atuando em programas de aceleração e mentoria de startups visando contribuir para a consolidação do ecossistema de inovação para Agricultura Digital no país.
























