Os cuiabanos ganharam um novo Clã familiar nesta eleição: o Clã do Abilio. O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), forte liderança da extrema direita, elegeu a esposa, dona Samantha, deputada estadual. A maior expressão da relação de dependência familiar foi do próprio nome usado na campanha da esposa: Samantha do Abilio, assim mesmo, sem direito à autonomia de um nome para chamar de seu. Foi eleita sendo “do Abilio”, reforçando a marca do novo Clã que surge no mercado eleitoral de Cuiabá, surfando na onda da extrema direita que é controlada pelo Clã dos Bolsonaros.
Em reportagem de Giovanna Bitencourt e Luis Vinicius, do site Olhar Direto, o prefeito que abandonou Cuiabá nos últimos dois meses só para cuidar da eleição da esposa, debocha dos eleitores cuiabanos. Comemora a derrota de antigos Clãs Familiares celebrando exatamente a vitória eleitoral de um novo Clã, o da família dele.
“Os resultados desse processo eleitoral demonstram que Mato Grosso não quer mais a família Riva, não quer mais a família Campos, não quer mais a família Botelho e não quer mais a família do Emanuel. Acho que esse resultado foi consolidado agora”, declarou Abilio. Traduzindo: Mato Grosso agora está apaixonado pelo Clã do Abilio, com a mulher eleita deputada estadual. Faz par com o Clã do Mauro, ele senador e a esposa, dona Virgínia, eleita deputada federal.
Os Clãs Familiares têm prazo de validade eleitoral, décadas ou só até o próximo pleito. A conferir a validade dos novos Clãs Familiares que surgiram em Mato Grosso. O Clã de Abilio, por exemplo, pode durar, para desespero dos cuiabanos, pelo menos até 2032, caso seja reeleito prefeito de Cuiabá.
Um último apontamento sobre o aspecto nocivo para a democracia da existência de Clãs de Famílias, independentemente do lugar que ocupem no espectro ideológico: 1) Feudalismo Político: a concentração do poder em poucas famílias limita a renovação política, impedindo que novas lideranças, movimentos sociais e diferentes setores da sociedade tenham acesso proporcional aos espaços de decisão e 2) Confusão entre o Público e o Privado: a gestão pública passa a ser tratada muitas vezes como extensão do patrimônio familiar, resultando em favoritismo, distribuição de cargos estratégicos com base em laços de parentesco e fragilização dos mecanismos de controle.
























