Ptef. de Cuiabá

Marcado pela chegada da pandemia de covid-19 no Brasil, o ano de 2020 teve cerca de 196 mil mortes a mais que o ano de 2019 no país. O número representa um aumento de 14,9% no comparativo entre um ano e outro. O estado de Mato Grosso, por sua vez, registrou um crescimento ainda maior. Os dados integram as Estatísticas do Registro Civil, divulgadas nesta quinta-feira (18.11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Com uma das maiores variações do país, o número de registros de óbitos no estado aumentou 27%. Variações maiores foram registradas somente nos estados do Amazonas, com 31,9%, e do Pará, com 27,9%. Seguidos de Mato Grosso, aparecem Distrito Federal (26,6%), Roraima (25,6%), Maranhão (23,8%), Rondônia (23,2%), Ceará (20,6%) e Amapá (20,0%). Na outra ponta, as menores variações foram as observadas no Rio Grande do Sul, com 4,0%, e em Minas Gerais, com 7,9%.
“A alta no número de óbitos observada entre 2019 e 2020 foi muito fora do comum quando vemos como foi esse movimento nos anos anteriores. Olhando desde 1984, mesmo que as séries mais antigas não sejam comparáveis com as atuais, pois o índice de sub-registro era muito alto, é possível observar que nunca antes tivemos uma variação acima de 7% de um ano para outro. Sendo que, em geral, o incremento ficava abaixo ou em torno de 3%. De 2010 a 2019, a média de variação foi de 1,8%”, analisa a gerente da pesquisa, Klívia Brayner.
Em todo o Brasil, mais de 99% da variação dos óbitos em 2020 ocorreu nas mortes por causas naturais classificação que inclui os óbitos decorrentes de doenças, como a Covid-19. E 75,8% na faixa de idade de 60 anos ou mais. Nessa classe etária, houve aumento de 16,3% (148,6 mil) nos óbitos em 2020, frente a uma variação de 4,5% no biênio anterior.
Na faixa dos 15 aos 59 anos, a alta foi de 14,9% em 2020, frente a uma queda de 1,2% no biênio anterior. Já entre crianças e adolescentes de até 15 anos, por outro lado, houve uma grande redução de óbitos (-15,1%, contra -1,0% anteriormente). Além disso, o aumento no número de óbitos de 2019 para 2020 foi relativamente maior entre os homens (16,7%) do que entre as mulheres (12,7%).
“Houve um crescimento bastante relevante das mortes por causas naturais, o que é condizente com o cenário de uma epidemia. Por outro lado, o fato de as crianças e adolescentes terem ficado em casa parece ter reduzido expressivamente os óbitos até os 15 anos, talvez pela menor exposição a agentes patógenos em geral ou a riscos de causas externas”, comenta Brayner.























