
Mato Grosso perdeu 23,4 milhões de hectares de floresta entre 1985 e 2023, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (21.08) pelo MapBiomas, uma iniciativa coordenada pelo Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima (SEEG/OC). Nesse mesmo período, o setor agropecuário avançou sobre 24,9 milhões de hectares do território estadual.
Os dados revelam que, de 1985 a 2023, a cobertura florestal de Mato Grosso caiu de 78,46% para 52,54% do território, enquanto a agropecuária expandiu sua presença de 10,72% para 38,21%. As pastagens aumentaram em 15,8 milhões de hectares, e as áreas cultivadas com lavouras ganharam mais 10,4 milhões de hectares.
O setor minerário também experimentou um crescimento expressivo nos últimos 38 anos. As atividades minerárias, que em 1985 cobriam apenas 7.371 hectares, foram expandidas para 72.775 hectares em 2023, um aumento superior a 880%. O interesse dos empresários no estado se traduz, entre outras formas, no crescimento vertiginoso de processos minerários registrados pela Agência Nacional de Mineração (ANM). Em Chapada dos Guimarães, por exemplo, último quadriênio (2020 a 2023), houve um aumento de mais de 85% em áreas alvo de mineração.
Perdas em superfície de água
O levantamento realizado pelo MapBiomas também aponta uma severa perda na superfície de água no estado de Mato Grosso. Em 1985, corpos d’água como rios, lagos, represas e pântanos ocupavam cerca de 1,2 milhão de hectares do território mato-grossense. Esse número caiu para 598 mil hectares em 2023, representando uma perda de mais de 51%.

O bioma mais afetado por essa perda é o Pantanal. De acordo com o levantamento, como consequência da diminuição da água, as áreas de vegetação herbácea e arbustiva aumentaram de 36% em 1985 para 50% do bioma em 2023. Os municípios que mais ilustram a gravidade do problema em Mato Grosso são Cáceres e Poconé.
Os municípios pantaneiros sofreram perdas significativas. Em 1985, Cáceres (a 218 km de Cuiabá) possuía 419.067 hectares cobertos por água. Atualmente, restam apenas 265.601 hectares, cerca de 36% a menos do que há 38 anos. O cenário em Poconé (a 104 km de Cuiabá) é ainda mais preocupante: a área coberta por água passou de 252.711 hectares para 102.956, uma perda de 59%.
Panorama nacional
De acordo com o MapBiomas, 26 estados do Brasil tiveram redução de cobertura florestal entre 1985 e 2023, sendo que as mais expressivas foram em Rondônia (de 93% em 1985 para 59% em 2023), Maranhão (de 88% para 61%), Mato Grosso (de 87% para 60%) e Tocantins (de 85% para 61%).
A extensão e rapidez da mudança da cobertura e uso da terra são alguns dos fatores que elevam o risco climático do Brasil. “A perda da vegetação nativa nos biomas brasileiros tende a impactar negativamente a dinâmica do clima regional e diminui o efeito protetor durante eventos climáticos extremos. Em síntese, representa aumento dos riscos climáticos”, comentou o coordenador geral do MapBiomas, Tasso Azevedo.























