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REDUZ ÁREAS DE RESERVA

AL aprova projeto que abre ‘brecha’ para desmatamento em Mato Grosso

Os deputados contrários ao projeto afirmaram que, após as modificações feitas no texto por meio de substitutivo, a própria Sema emitiu parecer contra o PLC, apontando um aumento no desmatamento no estado, medido em milhões de hectares.

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Os deputados estaduais aprovaram, por 15 votos favoráveis e 8 contrários, o Projeto de Lei Complementar (PLC) 18/2024, que altera dispositivos do Código Estadual do Meio Ambiente. Os parlamentares que se manifestaram contra a matéria alegaram que a medida abre brechas para o desmatamento em grande escala em Mato Grosso, com base em pareceres técnicos da própria Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O texto original foi encaminhado à Assembleia Legislativa e lido em sessão no mês de maio do ano passado. Ele foi assinado pelo vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos), que atuava como governador em exercício na época. Contudo, desde que começou a tramitar no parlamento, o PLC recebeu pelo menos sete substitutivos integrais, sendo o último assinado pelo deputado estadual Ondanir Bortolini, conhecido como Nininho (PSD).

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Antes de ser apreciado em plenário, o projeto já havia recebido votos contrários dos deputados Carlos Avallone (PSDB) e Wilson Santos (PSD) na Comissão de Meio Ambiente. Entretanto, o relatório favorável à aprovação, assinado pela deputada Janaína Riva (MDB), foi aprovado com o apoio dos deputados Fábio Tardin (PSB) e Gilberto Cattani (PL).

Na votação em plenário, nesta quarta-feira (08.01), votaram contra o PLC os deputados estaduais Carlos Avallone (PSDB), Lúdio Cabral (PT), Wilson Santos (PSD), Valdir Barranco (PT), Júlio Campos (União), Beto Dois a Um (PSB), Dilmar Dal Bosco (União) e Valmir Moretto (Republicanos).

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Os deputados contrários ao projeto afirmaram que, após as modificações feitas no texto por meio de substitutivo, a própria Sema emitiu parecer contra o PLC, apontando um aumento no desmatamento no estado, medido em milhões de hectares. Parecer semelhante foi emitido pelo IBGE, também criticando a forma como o substitutivo foi apresentado.

O deputado estadual Lúdio Cabral (PT) alertou que as modificações permitiriam a reclassificação de territórios de florestas como cerrado. Essa mudança impactaria diretamente os limites de desmatamento: enquanto áreas de floresta exigem uma reserva legal de 80%, no cerrado esse percentual é reduzido para 35%.

“Essa lei, se for aprovada definitivamente, permitirá o desmatamento de uma área equivalente à Alemanha em nosso país. O próprio governo é contrário a essa proposta, manifestando essa posição por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema). O texto original tinha um objetivo técnico: atualizar a base de dados para o Cadastro Ambiental Rural (CAR). No entanto, foram incluídas mudanças que permitem interpretar áreas de floresta como cerrado, reduzindo as exigências de conservação”, destacou Lúdio.

O mesmo posicionamento foi reforçado pelo deputado Valdir Barranco (PT): “Nós estamos às vésperas da COP30, que terá como sede o Brasil, e qual será o prêmio que daremos ao mundo? O que Mato Grosso oferecerá? Aliás, o que ofereceremos indo contra a Sema, contra o próprio IBGE, ao aprovar esse PLC que afrouxa ainda mais as regras sobre o desmatamento? Não podemos continuar coniventes com essa situação.”

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Por outro lado, o deputado Nininho, autor do substitutivo, defendeu o projeto. Ele garantiu que a mudança não comprometerá a conservação. “Quando se fala em meio ambiente, todos ficam preocupados e acham que haverá um grande desmatamento. Isso não é verdade. A proposta apenas aprimora os procedimentos técnicos para evitar problemas, como os identificados recentemente em operações da Sema”, justificou.

O PLC aprovado pela maioria substitui a escala de classificação do IBGE de 1:1.000.000 para 1:250.000, utilizando uma ferramenta mais precisa e atualizada para determinar as características da vegetação. Na mensagem do substitutivo, Nininho alegou que a alteração “atende ao setor produtivo e às entidades não governamentais ambientalistas, pois tanto elimina as alegações de desmatamentos continentais quanto cumpre a decisão do Supremo Tribunal Federal. Aplicam-se critérios operacionalmente simples para a identificação dos biomas, garantindo segurança jurídica aos produtores na regularização de suas áreas, bem como aos técnicos e servidores públicos ambientais para elaborarem estudos e projetos de classificação vegetal no estado de Mato Grosso.”

Deputado Nininho – autor do substitutivo. Foto: Assessoria

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