Pesquisar
Close this search box.
ESTREIA NESTA QUARTA

Ambientado no Cerrado, ‘Memória de Elefante’ discute luto e avanço da soja

Diretor mato-grossense Severino Neto diz que filme trata de resistência e celebra primeira exibição no Brasil durante o 23º Cinemato.

Publicidade

(Foto: Divulgação)

A primeira exibição brasileira de Memória de Elefante acontece nesta quarta-feira (1º), às 20h, no Teatro da UFMT, em Cuiabá, como parte da mostra competitiva de longas do 23º Festival de Cinema de Cuiabá (Cinemato). Depois de estrear internacionalmente no International Film Festival of India, em Goa, na Índia, o longa retorna ao estado onde foi produzido para seu primeiro encontro com o público local.

Para o diretor Severino Neto, a sessão representa mais do que a estreia nacional. É a oportunidade de exibir, diante da própria comunidade, uma história construída a partir do Cerrado mato-grossense e de seus conflitos.

“É muito difícil fazer cinema no Brasil, e em Mato Grosso mais ainda. A gente não tem uma cultura audiovisual consolidada nem muitos investimentos. Então, conseguir produzir um longa já é uma vitória. Passar esse filme no telão para os nossos, para a equipe, para as famílias e para o público mato-grossense, é uma sensação única”, afirmou em entrevista ao PNB Online.

O cineasta lembra que a estreia internacional ocorreu em um dos principais festivais da Ásia e considera simbólico que o filme faça sua estreia brasileira justamente no Cinemato, festival do qual diz ser “cria”. Seu primeiro curta-metragem integrou a programação do evento.

“Fazer um cinema autoral, local na temática, mas com perspectiva global, sempre foi a nossa intenção. Queremos mostrar nossas raízes, nosso chão e nosso Cerrado de uma forma que dialogue com pessoas de qualquer lugar do mundo”, diz.

Ambientado na Chapada dos Guimarães, Memória de Elefante acompanha uma mulher de 60 anos que tenta reorganizar a vida após um luto prolongado enquanto administra um santuário de elefantes cercado pelo avanço da soja. A chegada de um jovem da comunidade desencadeia novos conflitos afetivos e familiares.

Embora o cenário remeta à expansão agrícola, Severino afirma que o filme evita construir uma oposição simplista entre agronegócio e preservação ambiental.

“Não é uma crítica vazia ao agro, como se fosse o bem contra o mal. É um olhar sobre a ocupação de áreas que não deveriam ser ocupadas. Quem vai até o santuário percorre quilômetros de lavouras e percebe como a soja já chegou à Chapada”.

Segundo ele, a presença dos elefantes, animais exóticos ao bioma, também ajuda a construir a reflexão proposta pelo longa. “A gente faz uma brincadeira: os elefantes não são naturais daqui, mas será que a soja é? O filme fala sobre ganância, exploração e sobre os limites desse avanço”. 

Para o diretor, porém, a principal ideia da obra é discutir diferentes formas de resistência. “Eu costumo dizer que esse filme trata de resistência. Da resistência de uma comunidade, dos afetos, do Cerrado e de uma mulher que enfrenta o próprio luto enquanto tenta proteger aquele lugar”. 

Produzido pela Molêra Filmes, em coprodução com a Paralelo 15 Filmes e a Calabaza, Memória de Elefante foi viabilizado por meio de edital de coinvestimento entre a Secretaria de Estado de Cultura de Mato Grosso e a Ancine, com recursos do Fundo Setorial do Audiovisual. O longa concorre ao Troféu Coxiponé ao lado de outras seis produções na mostra competitiva do Cinemato.

A 23ª edição do festival segue até domingo (05.07), em Cuiabá, com sessões gratuitas dedicadas ao cinema brasileiro e homenageia o cineasta Amauri Tangará.

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe essa Notícia

Publicidade

Publicidade

Publicidade

NADA PESSOAL

Nada Pessoal com o Deputado Estadual Wilson Santos

Informe Publicitário

Informe Publicitário

Informe Publicitário

Informe Publicitário

Publicidade

NADA PESSOAL

Nada Pessoal com Valdinei Mauro de Souza