
Desativada desde a pandemia, a Associação dos Pós-Graduandos e Pós-Graduandas da Universidade Federal de Mato Grosso (APG-UFMT) retomou as atividades no final do ano passado, com demandas bem estabelecidas. Em consonância com a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), a representação mato-grossense cobra avanços no reconhecimento dos estudantes como trabalhadores da pesquisa do país.
Entre 2021 e 2023, a APG-UFMT esteve em um período de desmobilização. Seu ressurgimento foi motivado, em grande parte, pelo estímulo da ANPG. Ao longo dos últimos anos, a associação nacional tem promovido a articulação de representações estaduais, visando agregar apoio a demandas como a inclusão de bolsistas de mestrado, doutorado e pós-doutorado no Regime Geral de Previdência Social (RGPS). No Congresso Nacional, o Projeto de Lei (PL) com tramitação mais recente para mudar essa realidade é o texto proposto pela deputada Alice Portugal (PCdoB/BA), que conta com o apoio da entidade da UFMT e da ANPG a nível nacional.
A APG-UFMT trabalha atualmente para recolher assinaturas de apoio ao projeto, que também visa garantir aos pós-graduandos o direito de usufruir das licenças maternidade e paternidade. “Uma das nossas principais bandeiras é para que não sejamos só reconhecidos como estudantes. Militamos para o reconhecimento de que nós também somos trabalhadoras e trabalhadores da ciência do nosso país, somos pesquisadores. Apesar de estarmos adquirindo conhecimento a partir do ensino, nós também atuamos com pesquisa e extensão. Nós pesquisamos para trazer um retorno para a sociedade e realizar transformação social”, afirma a presidente da APG-UFMT, Priscila Stella.
Stella, que é mestranda no Programa de Pós-graduação em Política Social (PPGPS-UFMT), reconhece a importância do ajuste implementado pelo Governo Federal nas bolsas de pós-graduação no último ano, mas ressalta que não é suficiente. “Tivemos alguns avanços no último ano com relação ao aumento das bolsas de pós-graduação, que não eram atualizadas há dez anos. Mas lutamos para que as bolsas de fomento à pesquisa, que muitas vezes as pessoas acham que são bolsas de estudo, tenham reajuste anual, pelo menos baseado na inflação”.
O cenário impulsiona a evasão dos programas de pós-graduação, impactando diretamente a produção científica do país. Conforme dados da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a condução da pesquisa científica é predominantemente realizada por mestrandos e doutorandos, representando cerca de 90% dos casos. Recentemente, informações divulgadas na proposta do Plano Nacional de Pós-Graduação (PNPG), elaborada pela Capes, mostram que aproximadamente 25% dos cursos de mestrado em 20 áreas do conhecimento (de um total de 49) registraram uma demanda inferior à oferta.

“O estudante de pós-graduação é afetado por diversos problemas de saúde física, por passar muitas horas sentado ou em campo; e de saúde mental e emocional, porque a produção científica exige muita dedicação. As bolsas nos valores atuais estão melhores do que antes, mas ainda estão muito longe de remunerar os trabalhadores da pesquisa do país. Não temos nenhum outro direito garantido. Hoje, se adoecemos, é por nossa conta em risco. Há riscos de não conseguirmos prorrogação de prazo de pesquisa e nem de bolsa. É um impacto muito grande”, explica Priscila Stella.
Luta por reconhecimento social
A presidente ressalta ainda como uma das bandeiras da associação a busca pelo reconhecimento dos parlamentares e da sociedade mato-grossense quanto à relevância da pesquisa científica gerada na UFMT. “Em grande medida, não há incentivo por parte dos nossos parlamentares. Mas, nós esperamos que os nossos governos reconheçam o nosso trabalho científico e que reivindiquem nossos direitos como reivindicamos. Trabalhamos para fazer com que a sociedade mato-grossenses entenda que o que é produzido na UFMT é para ela e para o país e que estamos ali para contribuir para o desenvolvimento não apenas de tecnologias, mas também de políticas públicas”.
























