Pesquisar
Close this search box.
ARTIGO

Arquitetura social coloca Mato Grosso no mapa nacional da inovação

Publicidade

Quando me pergunto qual é o papel do arquiteto hoje, vejo que não se trata apenas de erguer edifícios ou organizar terrenos. Trata-se de desenhar espaços que acolhem, de conceber cidades que respeitam as pessoas, os deslocamentos, o meio ambiente e a qualidade de vida. Em regiões como o interior do Brasil, e em especial em Mato Grosso, essa missão ganha forma concreta e humana.

Nos próximos dias, centenas de famílias cuiabanas viverão um momento que sintetiza o verdadeiro sentido da arquitetura: receber as chaves de um lar digno. São 595 casas do Parque do Cerrado, empreendimento da Pacaembu Construtora, que integram o programa Minha Casa, Minha Vida FGTS, na região do Coxipó, em Cuiabá.

Ver essas famílias realizando o sonho da casa própria é experimentar, como arquiteto, a concretização de um ideal: o de que obras públicas e populares podem e devem ser de excelência, planejadas com cuidado, sensibilidade e compromisso com o futuro. Esse é o padrão que precisamos tornar comum na vida das pessoas.

A construção civil segue aquecida, mas o verdadeiro desafio vai além do “quanto se constrói”. A questão é: como se constrói, para quem e com que legado urbano e social? Segundo dados do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR), o país conta com mais de 241 mil arquitetos e urbanistas registrados. Em Mato Grosso, são aproximadamente 3,2 mil profissionais ativos, conforme o CAU/MT (2020).

Esses números mostram um setor em expansão, mas também revelam o quanto ainda podemos amadurecer, sobretudo quando pensamos a arquitetura como instrumento de transformação social. Foi com esse olhar que assumi dois desafios que hoje se tornaram referências nacionais. O primeiro, o Parque do Cerrado, em Cuiabá, desenvolvido pela Pacaembu Construtora, foi vencedor do Prêmio Master Imobiliário 2025 – considerado o “Oscar da Construção Civil” no Brasil – na categoria Empreendimento – Habitação Econômica projeto Minha Casa, Minha Vida. O segundo, o Masterplan Cosentino, em Primavera do Leste, idealizado pela Construtora e Imobiliária Cosentino, foi premiado em 2024 na categoria Soluções Urbanísticas, também do Prêmio Master Imobiliário.

Leia Também:  Brincar é fundamental: dicas e benefícios para o desenvolvimento infantil

São projetos distintos em escala, mas semelhantes em propósito. Ambos propõem um urbanismo com empatia, que combina infraestrutura, sustentabilidade e qualidade de vida. No Parque do Cerrado, o foco foi a habitação de interesse social, com infraestrutura completa, áreas de convivência e soluções voltadas à mobilidade, ao lazer e ao bem-estar. Em Primavera do Leste, o Masterplan Cosentino abrange cerca de 400 hectares e introduz um conceito de cidade inspirado na “Cidade de 15 Minutos”, que consiste em um urbanismo contemporâneo que aproxima moradia, trabalho e lazer em distâncias curtas e sustentáveis.

Esses empreendimentos refletem o compromisso de empresas que acreditam que crescer com qualidade é uma forma de inclusão social. Mostram que o investimento privado e o planejamento público podem caminhar juntos para transformar territórios e realidades. É nesse encontro entre técnica, que compreende redes de infraestrutura, desenho urbano e integração de usos, e propósito, que envolve moradia digna, pertencimento e qualidade de vida, que reside a verdadeira inovação.

Com políticas públicas consistentes, parcerias privadas e uma visão de longo prazo, Mato Grosso mostra que o interior brasileiro pode e deve ser um laboratório de soluções urbanas para o futuro. Podemos construir cidades que não apenas crescem, mas crescem bem. Isso significa criar espaços mais acolhedores, saudáveis e humanos. Nesse sentido, a arquitetura mato-grossense demonstra que é possível produzir excelência e inovação fora dos grandes centros, com projetos que unem sensibilidade, sustentabilidade e impacto social.

Leia Também:  Dia do Orgulho Agênero

Se o momento é de construção, o desafio é o legado. Projetar pensando apenas no curto prazo pode gerar números, mas projetar com propósito é o que realmente cria vida em comunidade. Nosso compromisso, enquanto arquitetos e urbanistas, é fazer com que cada metro quadrado projetado tenha sentido, que dialogue com o território, com as pessoas e com o tempo. A boa arquitetura está nesse ponto de encontro entre técnica e afeto, entre o desenho e a vida.

Os dois prêmios nacionais, o Master Imobiliário 2024, pelo Masterplan Cosentino, e o Master Imobiliário 2025, pelo Parque do Cerrado, são o reflexo dessa trajetória. Mais do que reconhecimento, representam uma responsabilidade. Não basta vencer prêmios, é preciso fazer a diferença na vida das pessoas.

Ao olhar para o futuro, acredito que Mato Grosso tem um papel pioneiro a cumprir. Deve liderar não apenas pela escala de crescimento, mas pela qualidade desse crescimento. Convido meus colegas arquitetos, urbanistas e gestores, públicos e privados, a abraçarem essa visão de urbanismo com propósito, em que cada lote, cada rua e cada moradia sejam projetados para a vida. Porque, no fim, projetar é também cuidar.

Raul Spinelli é arquiteto e urbanista, especialista em Planejamento e Desenvolvimento Regional, autor de dois projetos premiados no Prêmio Master Imobiliário 2024 e 2025.

* A opinião do articulista não reflete necessariamente a opinião do PNB Online

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe essa Notícia

Publicidade

Publicidade

Publicidade

NADA PESSOAL

Nada Pessoal com o Deputado Estadual Wilson Santos

Informe Publicitário

Informe Publicitário

Informe Publicitário

Informe Publicitário

Publicidade

NADA PESSOAL

Nada Pessoal com Valdinei Mauro de Souza