Marcos Corrêa/PR

Os jornalistas Allan Mesquita e Rodrigo Costa, do site Gazeta Digital, registraram o discurso do presidente Jair Bolsonaro (PL) no evento político-religioso realizado nesta terça-feira (19/4) à noite.
A matéria dos jornalistas com os comentários:
Em uma fala de aproximadamente 10 minutos para apoiadores e fiéis que lotaram o Grande Templo na noite desta terça-feira (19) em Cuiabá, o presidente Jair Bolsonaro (PL) se dirigiu às centenas de pessoas presentes no local, encampando um forte discurso eleitoreiro e relembrando pautas sensíveis aos evangélicos, base mais fiel de apoio ao presidente.
Comentário: sim, por mais que o evento seja de fim religioso, o uso político feito por Bolsonaro é explícito e tratado como algo “natural”.
O chefe do executivo abriu o discurso afirmando que há uma luta travada no Brasil e que ele faz parte da maioria que deseja um futuro melhor para o país. “Hoje temos uma luta do bem contra o mal”, afirma. “Nós somos a maioria que trabalha, que luta, que acredita e quer o melhor para o seu país e para os nossos filhos”.
Comentário: tal como Lula e o PT faziam, a luta do “nós x eles”, o bolsonarismo também trabalha com essa estratégia de polarizar, de sacudir o seu diabo, no caso, o petismo. Bem e Mal são extremos usados pela religião, Bolsonaro espertamente apreende esse confronto para se comunicar com o público crente.
Em seguida, Bolsonaro fez questão de relembrar temas “espinhosos” e reiterar a posição contrária do seu governo a respeito de temas como ideologia de gênero.
“Nós lutamos contra o aborto, contra a liberação das drogas, contra a ideologia de gênero e pela liberdade religiosa”, disse Bolsonaro, em uma fala semelhante à de sua posse no dia 1ª de janeiro de 2019.
Comentário: a pauta conservadora é prioridade no discurso de Bolsonaro. A destruição ambiental; a escalada das milícias; a inflação; o desemprego e a fome não estão na sua ordem do dia em eventos cujo público é de base religiosa. A Bíblia é usada pelo presidente, sem cerimônia, como apontamentos do seu panfleto político.
Tal como Lula e o PT faziam, a luta do “nós x eles”, o bolsonarismo também trabalha com essa estratégia de polarizar, de sacudir o seu diabo, no caso, o petismo
Em meio a embates com ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre liberdade de expressão, Bolsonaro afirmou que hoje a população tem plena consciência de sua força. Segundo ele, isso só foi possível através das mídias sociais. “Ele (o povo) sabe para onde conduzir o seu país”.
Comentário: o seu povo, o povo do Mito. Este é o seu povo, o resto não é considerado povo. Só é considerado povo quem é submisso ao poder do Mito. Simples assim.
Alguns pastores e lideranças da Assembleia de Deus também discursaram. Em suas falas, os líderes religiosos defenderam a necessidade de ter um presidente que fale em Deus, que defenda os direitos dos evangélicos e da família e pediram, de forma explícita, votos para o presidente nas eleições de outubro.
Comentário: é interessante como essa figura pública que defendeu a morte de mais gente pela ditadura militar, queixando-se de que os militares “mataram pouco”; que tem um histórico de agressão verbal contra mulheres e que desprezou e debochou da morte de brasileiros vítimas da Covid, seja celebrado como um homem crente, só porque também fala em Deus. Fala e faz o Diabo, mas também fala em Deus, é o suficiente para seus seguidores passivos. Bolsonaro consegue embaralhar a lógica aproveitando-se de que pouca gente liga os pontos das suas falas erráticas. Isso é um ponto forte da comunicação do Mito, a lógica jogada no lixo.
O mandatário disse ainda que o Brasil atualmente tem um na cadeira da presidência um homem que acredita em Deus e relembrou uma das promessas feitas ao longo de sua gestão: um ministro do Supremo evangélico, em referência a André Mendonça, escolhido por ele como o ministro “terrivelmente evangélico” a ocupar uma das 11 cadeiras da Corte.
Comentário: a nomeação de um ministro evangélico para o STF, transformada em promessa de campanha, foi cumprida. Mais do que seguidor dos preceitos religiosos ou da constituição, para Bolsonaro só interessa que ministro do Supremo seja temente e devoto a ele.
“Temos dentro do Supremo Tribunal Federal um irmão de Cristo”, relembrou Bolsonaro, que logo em seguida foi interrompido por gritos e aplausos fervorosos dos fiéis.
“Hoje nós temos no governo um presidente que acredita em Deus, defende a família e deve lealdade ao seu povo”, disse. “Juntos estamos construindo um caminho sólido, sem retorno, rumo à prosperidade”.
Comentário: fugindo do embate democrático da discussão de ideias, Bolsonaro fala o que quer sem admitir o contraditório. Segue o princípio da sua intolerância: a verdade única. O presidente sustenta suas ideias rasas e crenças para o seu eleitorado submisso. Nada é aprofundado, as ideias boiam tranquilas na superfície das crenças.

























