
Mato Grosso registrou três assassinatos de travestis e transexuais em 2025, segundo o Dossiê Assassinatos e Violências Contra Travestis e Transexuais Brasileiras, divulgado nesta segunda-feira (26.01) pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra). Com esse número, o estado ocupa a 12ª posição no ranking nacional, ao lado do Rio de Janeiro, no levantamento referente ao último ano. .
O documento será entregue oficialmente a representantes do governo federal em cerimônia no Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, em Brasília. O dossiê reúne dados sobre homicídios consumados, tentativas de assassinato e outras formas de violência contra a população trans em todo o país.
Embora Mato Grosso não figure entre os estados com maior número absoluto de casos em 2025, a Antra alerta que números mais baixos não indicam, necessariamente, maior segurança. Segundo a entidade, a subnotificação, a interiorização da violência e a dificuldade de acesso a canais de denúncia seguem como entraves relevantes, especialmente em estados fora do eixo Sul-Sudeste.
No histórico recente, Mato Grosso apresentou variações significativas. Em 2024, o estado registrou oito assassinatos, ocupando a 6ª posição nacional. Em 2023, houve um caso, enquanto em 2022 foram cinco mortes. Já em 2021, o levantamento aponta três assassinatos. A oscilação, de acordo com a Antra, reforça a fragilidade estrutural na produção de dados e a ausência de políticas contínuas de prevenção.
Em nível nacional, o dossiê contabilizou 80 assassinatos de pessoas trans em 2025, uma queda de 34% em relação ao ano anterior. Ainda assim, o Brasil segue como o país que mais mata pessoas trans no mundo. Ceará e Minas Gerais lideram o ranking de 2025, com oito casos cada, seguidos por Bahia e Pernambuco, com sete registros. .
A maior parte das vítimas, segundo o relatório, é formada por travestis e mulheres trans, jovens, negras e em situação de vulnerabilidade social. Os crimes, em geral, ocorrem em espaços públicos e apresentam elevado grau de violência, características associadas a crimes de ódio.
A Antra defende que os dados sejam utilizados como base para políticas públicas específicas, com atenção às realidades regionais. Entre as recomendações estão a qualificação das forças de segurança, a padronização da coleta de dados e a ampliação de políticas de inclusão social, especialmente em estados como Mato Grosso, onde a violência tende a ocorrer longe dos grandes centros urbanos.
























