
Mato Grosso concentrou, em 2025, o maior número de conflitos por terra da região Centro-Oeste, com 53 ocorrências registradas ao longo do ano. Ao considerar também disputas por água e questões trabalhistas, o total chega a 63 conflitos no campo, envolvendo 53.934 pessoas. Os dados fazem parte do relatório Conflitos no Campo Brasil 2025, divulgado na segunda-feira (27.04) pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), em evento realizado na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília.
Nas ocorrências relacionadas exclusivamente à terra, foram contabilizadas 11.841 famílias envolvidas em disputas que somam 8,7 milhões de hectares. Do total, 4.701 famílias sofreram ameaças de despejo e 44 enfrentaram tentativas ou ameaças de expulsão. O relatório também aponta 200 registros de pistolagem, um caso de destruição de moradia e 2.257 ocorrências associadas a invasões de terras.
O documento detalha ainda que os conflitos atingem diferentes grupos sociais em diversas regiões do estado. Entre os casos citados estão áreas indígenas, como o Parque Indígena do Xingu, que impactou 1.875 famílias em municípios como Nova Ubiratã, Canarana e Feliz Natal, além das terras Capoto/Jarinã e Portal do Encantado.
Comunidades quilombolas, como Carretão e Laranjal, em Poconé, e o Quilombo Mata Cavalo, em Nossa Senhora do Livramento, também aparecem entre as áreas afetadas. Já assentados e trabalhadores sem-terra enfrentam disputas em regiões como o P.A. Divisa e o assentamento 1º de Maio.
Em relação ao trabalho escravo rural, Mato Grosso registrou duas ocorrências em 2025, com 606 trabalhadores envolvidos, todos resgatados. No recorte de violência contra a pessoa, houve o registro de uma ameaça de morte formal, sem casos de assassinatos ou violência física direta contabilizados nas estatísticas do estado.
Panorama nacional
No cenário brasileiro, o relatório da CPT aponta uma redução no número total de conflitos no campo, que caiu de 2.207 em 2024 para 1.593 em 2025. O número de vítimas também diminuiu, passando de 1.181 para 581. Apesar disso, houve aumento expressivo em categorias específicas de violência, como prisões (de 71 para 111), humilhações (de 5 para 142) e casos de cárcere privado (de 1 para 105).
Por outro lado, os assassinatos no campo dobraram no período, passando de 13 para 26 registros. Segundo a CPT, fazendeiros aparecem como os principais envolvidos nesses casos, sendo associados, direta ou indiretamente, a 77% das ocorrências. O relatório também contabiliza dois massacres em 2025, nos estados do Pará e Rondônia.
A Região Norte concentrou 61% dos assassinatos registrados no país, com destaque para Rondônia e Pará. Para a CPT, o cenário reflete o avanço de disputas territoriais ligadas à grilagem, ao crime organizado e à exploração de áreas públicas e protegidas, especialmente na Amazônia.























