As divergências de opiniões envolvendo a mudança do VLT (Veículo Leve Sob Trilhos) para o BRT (Ônibus de Trânsito Rápido) ganhou um novo desdobramento nesta quarta-feira (12.05). Enquanto o Governo do Estado afirma que irá lançar a licitação para a implantação do BRT em junho, por conta da aprovação do Conselho Deliberativo Metropolitano do Vale do Rio Cuiabá (Codem), a Prefeitura de Cuiabá permanece contra a medida.
O governador Mauro Mendes (DEM) emitiu nota oficial dizendo que a mudança de modal recebeu 13 votos favoráveis, quatro votos contrários e duas ausências. O conselho é formado por representantes dos poderes Executivos, Legislativo e entidades civis dos municípios de Cuiabá, Várzea Grande, Chapada dos Guimarães, Acorizal, Santo Antônio de Leverger e Nossa Senhora do Livramento.
Na prática, a votação não garante o início das obras. Como foi determinado judicialmente, a Câmara de Vereadores de Cuiabá ainda fará nesta sexta-feira (15.05) uma audiência pública para continuar os debates sobre o modal de transportes.
Para a discussão foram convidados o secretário Nacional de Mobilidade e Serviços Urbanos no Governo do Brasil, Jean Carlos Pejo; o ex-presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia, Juarez Silveira Samaniego; o governador Mauro Mendes, os prefeitos de Cuiabá e Várzea Grande e o coordenador do Movimento Pró VLT, Vicente Vuolo.
Emanuel Pinheiro tem se amparado legalmente por meio do decreto nº 6212 de 02 de janeiro de 2017, que diz em seu artigo 1º que “todas as obras, serviços de engenharia e reparos programados nas intervenções destinadas à melhoria da mobilidade urbana e ligadas ao evento Copa do Mundo no Município de Cuiabá deverão ser previamente autorizadas pelo Poder Executivo Municipal”. Ou seja, sem sua anuência e participação, dificilmente o Estado conseguirá avançar na obra.
Por outro lado, o prefeito de Várzea Grande, Kalil Baracat (MDB), disse nesta quarta-feira (12.05) durante a votação do Conselho, que percebeu a importância da mudança para o cidadão usuário do transporte coletivo, que é quem mais necessita de uma solução de mobilidade urbana.
“Foi definido hoje, através dessa sessão onde o conselho aprovou e agora o Estado vai tomar as medidas cabíveis para realizar a obra. Minha decisão foi baseada nos estudos técnicos, pareceres jurídicos. Inclusive, eu era favorável ao VLT. Defendi isso na minha campanha. Depois de apresentações e estudos, até pelo relatório que apresentei, hoje aprovo o BRT e acho que será mais econômico, flexível e vai atender a região metropolitana”, disse o prefeito.
Enquanto Emanuel Pinheiro e Mauro Mendes, desafetos políticos e pessoais declarados, não se entendem, a resolução do imbróglio ainda permanece sem data para ocorrer. Nove anos após sua idealização, as obras mal saíram do papel e a Avenida da FEB, em Várzea Grande, ainda permanece com o canteiro em toda sua extensão completamente destruído, com pontos de obras inacabadas e diversos blocos de concreto que permaneceram abandonados.
O modal foi idealizado na gestão do ex-governador Silval Barbosa (sem partido), em 2012. Silval deixou o governo sob fortes denúncias de corrupção e chegou a ser preso por desvios milionários. Pedro Taques (PSDB) também comandou o Estado de 2015 a 2019, no entanto, não apresentou soluções para o VLT.






















