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ARTIGO

Conversão ecológica e educação ambiental

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“Muitas coisas devem reajustar o próprio rumo, mas antes de tudo é a humanidade que precisa de mudar. Falta a consciência duma origem comum, duma recíproca pertença e dum futuro partilhado por todos. Esta consciência basilar permitiria o desenvolvimento de novas convicções, atitudes e estilos de vida. Surge, assim, um grande desafio cultural, espiritual e educativo que implicará longos processos de regeneração”. Papa Francisco, Encíclica Laudato Si, Vaticano, 2015.

“Já se passaram oito anos desde a publicação da carta encíclica Laudato Si, quando quis partilhar com todos vós, irmãs e irmãos do nosso maltratado planeta, a minha profunda preocupação pelo cuidado da nossa casa comum. Mas, com o passar do tempo, dou-me conta de que não estamos a reagir de modo satisfatório, pois este mundo que nos acolhe, está-se esboroando e talvez aproximando dum ponto de ruptura. Independentemente desta possibilidade, não há dúvida de que o impacto da mudança climática prejudicará cada vez mais a vida de muitas pessoas e famílias. Sentiremos os seus efeitos em termos de saúde, emprego, acesso aos recursos, habitação, migrações forçadas e noutros âmbitos”. Papa Francisco 04/10/2023, na Exortação Laudate Deum, mensagem endereçada aos Participantes da COP 28.

Promover uma educação ambiental radical envolve ir além de ações superficiais de reciclagem ou outras práticas de natureza mitigadora, mas sim, ações com o objetivo de uma transformação mais profunda, focando nos comportamentos, nas atitudes, na mentalidade, nos valores, nos estilos de vida e, também ou principalmente, nas estruturas culturais, sociais, econômicas e políticas para enfrentar a crise ecológica, a cada dia mais grave, com consequêncis mais trágicas.

Por isso também o Papa Leão XIV tem insistido que é preciso mudar as estruturas que geram a pobreza e a degradação ecológica e tem condenado o que seu antecessor (Papa Francisco) insistia dizendo tanto na “economia que mata”.

Neste sentido, a educação ambiental radical, se aproxima ou até mesmo passa a ser instrumento de “Conversão Ecológica”, mencionada e enfatizada pelo Papa Francisco na Encíclica Laudato Si.

A conversão ecológica na Encíclica “Laudato Si”, prestes a completar onze anos de publicação no dia 24 deste mes de maio de 2026, é um chamado para uma transformação profunda nos corações, mentes, atitudes, comportamentos, enfim, no estilo de vida e nos sistemas econômicos que não respeitam a natureza, reconhecendo nossa contribuição para a crise socioambiental.

Não é apenas uma mudança técnica ou tecnológica, o chamado paradígma tecnocrtático, mas um compromisso cristão mais profundo, de amor e da cidadania ecológica para um melhor cuidado com a “casa comum”, superando o consumismo, o desperdício, a degradação do planeta e a nossa indiferença diante da crise socioambiental e climática que estamos presenciando e sofrendo suas consequências.

Isso implica uma abordagem pedagógica, social, cultural, econômica, política e ética que questione os modelos, modos de produção e as relações de trabalho e de consumo/consumismo atuais.

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Neste contexto, tanto os conceitos de conversão ecológica e também de educação amiental/ecológica radical ou libertadora se aproximam de dois outros conceitos tão enfatizados pelo Papa Francisco: economia da morte e economia da vida (economia de Francisco e Clara).

Antes, porém, é fundamental identificarmos alguns aspectos importantes do conceito de conversão ecológica, entre os quais podemos mencionar: Integração Espiritual e ética, pois a conversão ecológica exige uma revisão profunda de estilo de vida, entendendo que o cuidado com o meio ambiente, com a natureza é inseparável da dignidade humana, da justiça social, da justiça climática e dos direitos humanos e direito das futuras gerações (justiça intergeracioal.

Da mesma forma é importante, fundamental termos em mente a dimensão da interconexão ou interligação entre todas as dimensões do viver humano e das relações entre natureza e humanidade, daí a ênfase de que “tudo está interligado”, fatores físicos, químicos, biológicos, sociais, políticos, econômicos e culturais. A degradação ambiental reflete também a degradação humana e as estruturas do pecado ecológico.

Outro aspecto a ser considerado é que precisamos, de fato, de uma grande mudança de paradígmas e, neste sentido, é imperioso rejeitar o paradigma tecnocrático e antropocêntrico, adotando uma “ecologia integral” que valoriza cada criatura e prioriza os mais frágeis, tendo sempre presente de que “o gemido da terra” é também o gemido e grito dos pobres, excluidos e injustiçados.

Além disso, as ações concretas decorrentes de uma conversão ecológica, precisam reconhecer a “divida ecológica”, de gerações e países e adotar comportamentos e ações solidárias, reparadoras, de responsabilidades coletivas nacionais e internacionais.

Feito isto, estaremos em condições de promover uma educação ambiental ou ecológica radical e libertadora, tanto nas residências, escolas, nas Igrejas quanto em outros espaços como nas comunidades, nos locais de trabalho, nas organizações públicas, privadas e não governamentais.

Os países ricos não podem continuar poluindo e destruindo o planeta impunemente e em todos os países é preciso definir responsabilidades em relação aos crimes ambientais/pecados ecológicos.

É neste contexto que emerge/surge a educação ambiental crítica e libertadora, ampliando e aprofundando o diálogo em relação

Vejamos,por exemplo, algumas formas de promovermos uma educação ambiental/ecológica radical e libertadora em relação ao que está acontecendo com o planeta, a partir de cada território, concretamente definido.

A primeira delas é a ênfase na importância e necessidade de uma transformação profunda, radical, de estilos de vida responsáveis pela degradação ambiental, pela destruição da natureza, da biodiversidade, combatendo os sistemas econômicos que não respeitam os “limites do planeta’, nem “nosso futuro comum” e são orientados apenas por um imediatismo visando o lucro fácil, pouco se importando com a herança socioambiental a ser deixada para as futuras gerações, além das consequências ja presentes na atualidade.

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Esta é uma ação que visa despertar a consciência ambiental/ecológica em diferentes públicos e motivar as pessoas a promoverem mobilizações em busca de definição de políticas públicas tanto nas dimensões repadoras quanto mitigadoras e também para a conservação e proteção dos biomas e ecossistemas.

Paralelamente a este despertar ecológico, através de um processo de mobilização coletiva, não podemos também ignorar a importância e o papel de ações de adaptação, mitigadoras, tanto individuais quanto coletivas.

Essas são ações e mobilização para combater o consumismo, os plásticos, o desperdídio, todas as formas de degradação ambiental, a geração de lixo/resíduos sólicos, enfim, as diferentes formas de poluição do solo, das águas e do ar.

Despertar as pessoas, em todas as faixas etárias, para a necessidade de incentivarmos a economia circular, a reciclagem, a agroecologia, a arborização urbana, a importância das florestas, inclusive das florestas urbanas, a agricultura urbana, hortas domésticas, escolares e comunitárias para a produção orgânica; o incetivo `as práticas de economia solidária, o uso de fontes renováveis de energia (incluindo sistemas cooperativos), a importância da moradia digna e o combate ao uso de combustíveis fósseis, responsáveis por 80% das emissões de gases de efeito estufa e que contribuem para a crise climática e suas consequências

A educação ambiental radical, libertadora, neste sentido é uma prática revolucionária, mas fundamentalmente de natureza pacífica, porque busca criar novas formas e estilos de vida baseados no respeito `a natureza, em defesa da dignidade e direitos humanos, na valorização dos saberes tradicionais e ancestrais e na sustentabilidade plena, diferente dos atuais sistemas produtivos que ignoram a importância de uma mudança profunda dos paradígmas que os sustentam, distantes do bem comum e de uma espiritualidade ecológica que reconhece tudo como obras da criação.

Os conflitos que porventura surgem relacionados com `as questões socioambientais só existem devido `a resistência de alguns setores políticos, econômicos e sociais que não reconhecem que só existe um planeta e que os chamados “recursos naturais” não são inesgotáveis e que todas as obras da criação, enfim, o planeta é um bem comum, ou seja, de todos e não podem estar apenas sujeitos `a lógica mercadológica e do lucro a ser acumulado “nas mãos” ou nas contas bancárias de uma minoria prvilegiada em detrimento do direito de todos/todas usufruirem desses bens e serviços produzidos.

A edução ambiental radical e libertadora é o único caminho que nos leva a uma cidadania ecológica plena e transformadora, por isso, vale a pena caminhar nesta direção.

Juacy da Silva é professor fundador, titular e aposentado, sociólogo, mestre em sociologia, ativista social, ambientalista, articulador da Pastoral da Ecologia Integral – Região Centro Oeste.

* A opinião do articulista não reflete necessariamente a opinião do PNB Online

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