O resultado do movimento ‘Vem pra Rua’, realizado neste domingo (13), em Cuiabá (MT), foi o reflexo do protesto que contagiou as principais cidades brasileiras. Segundo a Polícia Militar, 32 mil pessoas ocuparam a Avenida Getúlio Vargas, um dos principais eixos de ligação urbana da Capital. A sensação de liberdade numa avenida sem carros deu força ao coro de “fora PT”.
“A sociedade estava com esse grito preso no peito e precisava extravasar”, avaliou Geraldo Macedo, Grão-Mestre das Grandes Lojas Maçônicas do Estado de Mato Grosso (Glemt). Desde que a Maçonaria encampou o movimento ‘Corrupção Nunca Mais’, a fraternidade se tornou parceira das grandes manifestações populares. Durante o protesto deste domingo, a instituição colheu assinaturas para endossar o projeto de iniciativa popular que leva o nome do movimento.
“A corrupção é um mal que vem assolando a nação brasileira, retirando das administrações públicas vultosas quantias de recursos que deveriam estar sendo destinados a uma prestação de serviços públicos de melhor qualidade. Nesse momento histórico, a Maçonaria se manifesta em prol de um país mais justo e honesto”, definiu Geraldo Macedo.
O projeto Corrupção Nunca Mais consiste em criar uma lei estabelecendo penalidades mais graves para os crimes relacionados ao uso indevido, desvio, malversação ou apropriação de recursos públicos, aplicando a vários delitos os dispositivos da Lei de Crimes Hediondos e da Lei de Combate ao crime organizado. “Além disso, estabelece um rito mais célebre para recuperação dos recursos extraviados, aumento dos prazos de prescrição destes delitos e das penas de inelegibilidade”, completou o Grão-Mestre.
Hermes Martins é presidente do Sistema Federação do Comércio de Mato Grosso, uma das entidades que patrocinou o Vem pra Rua. Chegou à concentração empolgado com o despertar da sociedade. “O papel da entidade foi fazer o alerta para dar voz. Ninguém foi pra rua sob coação. Essa multidão grita não apenas pelo impeachment da presidente Dilma. Solta a voz por educação digna, trabalho, saúde de qualidade e, sobretudo, por um sonho que se chama Brasil”, concluiu Martins.
Para Sebastião Carlos Gomes de Carvalho, membro da Academia Mato-grossense de Letras, o lamento deste domingo não foi o de um poeta ou romancista. “Meu grito é de um cidadão que não aguenta mais ver o país se desmanchar num esquema de corrupção que parece não ter fim. Essa basta só vai acontecer com a sociedade mostrando o seu descontentamento”, falou emocionado o escritor.
“Esse grito não pode se calar. É preciso reverberar essas manifestações em apoio ao juiz federal Sérgio Moro”, completou o empresário Rissao Shimada. Ele diz desejar que cada brasileiro ganhe a mesma notoriedade de Moro. “Somos o maior júri popular para que ele julgue com respaldo os crimes investigados pela Operação Lava Jato”, desabafou Rissao.
Na avaliação do membro da Executiva Regional do PSDB e ex-presidente da OAB-MT, Ussiel Tavares, é o momento não apenas da sociedade mostrar a cara. “A classe política precisa mostrar que é capaz de virar essa página. Tem que sair do cercado. Abrir a porteira”, observou.
E o movimento Vem pra Rua deu nome aos bois, ou melhor, aos parlamentares que não apoiam a proposta de impeachment. A lista com os nomes da bancada de Mato Grosso foi lida sob vaias e palavras de ordem.
BANCADA FEDERAL ESTÁ DIVIDIDA
Segundo apurou os organizadores, no Senado, apenas Blairo Maggi (PR) e José Medeiros (PPS) votariam pelo afastamento da presidente Dilma. Wellington Fagundes (PR) foi vaiado por estar em cima do muro, segundo o movimento. Na Câmara Federal, Carlos Bezerra (PMDB), Saguas Moraes (PT) e Ezequiel Fonseca (PP) também estão do lado da presidente Dilma. Ainda, segundo a pesquisa, Valternir Pereira (PMDB) está indeciso e ainda não se manifestou. Entre os que apoiam, estão os deputados federais Fábio Garcia (PSB), Adilton Sachetti (PSB) e Victório Galli (PSC).
O governador de Mato Grosso, Pedro Taques (PSDB), foi um dos poucos políticos a participar do movimento. Em sua página no Facebook, Taques postou um vídeo convocando a sociedade. O convite feito pelo governador foi visualizado 163 mil vezes, recebeu 6,8 mil comentários e teve 5.772 compartilhamentos até as 20h deste domingo.
“O protesto mostrou que a sociedade brasileira almeja um país mais sério, mais justo e menos corrupto”, finalizou Junior Macagnan, coordenador do Movimento Vem pra Rua.






















