Após quase três anos à frente da Polícia Militar de Mato Grosso, o coronel Alexandre Mendes fez uma avaliação do período em que comandou a PMMT, em entrevista ao Jornal da Cultura 90.7, desta segunda-feira (02.11). O militar destacou os avanços em tecnologia e equipamentos, mas alerta para problemas estruturais e a desvalorização da corporação. Segundo Mendes, a desigualdade salarial em relação a outras forças de segurança e a presença significativa de policiais militares em funções administrativas em outros órgãos do estado são alguns dos problemas identificados na PMMT.
Durante a entrevista, Mendes destacou o déficit histórico no efetivo da Polícia Militar. Com cerca de 7 mil homens e mulheres na ativa, o contingente está muito abaixo do ideal, estimado em pelo menos 9,5 mil. Essa insuficiência, segundo ele, impacta diretamente a segurança pública. “Hoje, muitas vezes, precisamos deslocar policiais de uma região para outra para reequilibrar situações emergenciais. O exemplo mais evidente é Sorriso, que há anos enfrenta uma guerra entre facções. Mensalmente, enviamos 20 ou 30 policiais de outras localidades para reforçar a segurança ali”, revelou.
Outro ponto abordado foi a expressiva quantidade de policiais militares cedidos a outros Poderes e instituições, como o Tribunal de Justiça, Ministério Público, Assembleia Legislativa e secretarias do governo estadual. O coronel estima que entre 600 e 700 PMs estejam atualmente alocados fora das atividades operacionais. “Esses policiais são atraídos para essas funções porque lá existem gratificações que não têm na corporação, como insalubridade e adicionais por horas extras, inexistentes para quem atua na linha de frente”, explicou.
O coronel também destacou as disparidades salariais entre a PM e outras categorias da segurança pública. Segundo ele, policiais civis e penais possuem uma série de benefícios que não são estendidos aos militares. “Enquanto delegados e diretores da Polícia Civil recebem gratificações por comando de unidades, nenhum comandante de batalhão da PM recebe qualquer benefício adicional. O mesmo ocorre em funções no CIOPAer, onde policiais civis recebem adicionais por plantões noturnos e chamamentos, mas os militares não têm nada disso.”
Essa desigualdade, conforme Mendes, afeta a motivação da tropa. “Os policiais que estão no front, arriscando a vida diariamente, são os menos valorizados financeiramente. Isso faz com que muitos busquem transferências para funções administrativas em outros órgãos, onde podem ter algum benefício extra.”
Diálogo com o governador
O agora ex-comandante da PM reconheceu que tentou, em diversas ocasiões, negociar melhorias com o governador Mauro Mendes. Ele ressaltou que as associações que representam os policiais militares não foram recebidas pelo governador e que seu próprio cargo, de natureza política, impunha limites. “Apresentei números e dados financeiros que mostram a importância da PM, inclusive no que diz respeito à arrecadação do estado. Ainda assim, faltou estratégia para avançarmos.”





















