
A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) inaugurou nesta quarta-feira (12.02) o primeiro curso de Psicologia do Brasil voltado a assentados da reforma agrária. A graduação, ofertada pelo Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), reúne 47 alunos de diversas regiões do país e busca formar profissionais para atuar nas complexas realidades sociais e psicológicas do meio rural.
A aula inaugural aconteceu no Teatro da UFMT, no campus de Cuiabá. No total, 69 candidatos de estados como Piauí, Ceará, Bahia, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Goiás, Distrito Federal, São Paulo, Minas Gerais, Pará, Rondônia, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina participaram do processo seletivo.
O Pronera atende jovens e adultos que vivem em assentamentos reconhecidos pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), além de quilombolas, educadores e beneficiários do Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF). O curso busca ampliar o acesso à educação superior e suprir a demanda por psicólogos preparados para lidar com os desafios do campo.
Itelvina Maria Masioli, integrante da Coordenação Política Pedagógica do curso, destaca que a formação busca suprir a carência de profissionais especializados nas questões que afetam as populações rurais. “A saúde mental no campo é uma questão crítica, agravada pelo isolamento, pelas dificuldades de acesso a serviços e pelos impactos do uso intensivo de agrotóxicos”, afirma.
A formação deve capacitar os estudantes para atuar em escolas, cooperativas e espaços comunitários, promovendo a integração social e o desenvolvimento das comunidades. Auciêne dos Santos Lima, 25, saiu de Nova Santa Rita (RS) para integrar a primeira turma. “É um desafio grande sair de casa para estudar em outro estado, mas a expectativa é voltar para minha comunidade e ajudar a melhorar a saúde mental das pessoas”, diz.
Já Indaiá Witcel Rubenich, 20, veio de Santa Quitéria (CE) e vê na graduação uma conquista do Movimento Sem Terra. “Estar nessa primeira turma nacional é uma responsabilidade enorme. Mais do que um crescimento pessoal, é uma luta coletiva pela ocupação da universidade pública”, afirma.























