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ARTIGO

Educação ambiental crítica e consciência ecológica

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“A educação ambiental tem vindo a ampliar os seus objetivos. Se, no começo, estava muito centrada na informação científica e na conscientização e prevenção dos riscos ambientais, agora tende a incluir uma crítica dos «mitos» da modernidade baseados na razão instrumental (individualismo, progresso ilimitado, concorrência, consumismo, mercado sem regras) e tende também a recuperar os distintos níveis de equilíbrio ecológico: o interior consigo mesmo, o solidário com os outros, o natural com todos os seres vivos, o espiritual com Deus… Às vezes, porém, esta educação, chamada a criar uma «cidadania ecológica», limita-se a informar e não consegue fazer mudar os hábitos”. Papa Francisco, Laudato Si 210 e 211.

“Na Encíclica Laudato Si’, a educação ambiental é o pilar para a conversão ecológica. O Papa Francisco propõe uma mudança de mentalidade que conecta o cuidado com a natureza à justiça social. Ela vai muito além da ecologia superficial, ensinando a ecologia integral — onde tudo está interligado e o grito da Terra é inseparável do grito dos pobres” Diocese de Santo André, no artigo “Ecologia Integral: Casa dos Pobres, uma ação prática que une caridade e educação ambiental” de autoria de Felipe Mozelli, 01 Junho de 2021.

Ao longo do ano o Calendário Ecológico, que já divulgamos inúmeras vezes, nos indica mais de 90 dias e semanas especiais, dedicados a temas super importantes na dinâmica socioambiental e frente a tantos desafios que nos afetam diretamente, tanto ao redor do mundo (Dias Mundiais ou Dias Internacionais) e, também, relacionados com nossos próprios desafios e problemas nacionais, já amplamente conhecidos e diagnosticados, faltando, no mais das vezes, apenas as ações concretas, tanto públicas quanto privadas para equacioná-los ou mitigá-los, enquanto é tempo.

Costuma-se dizer que de boas intenções, diagnósticos, discursos, leis e tratados o mundo está cheio, falta transformar tudo isso em ações concretas, pois somente as ações, de preferência coletivas, comunitárias conseguem romper as estruturas sociais, políticas, econômicas, culturais e religiosas que geram fome, miséria, pobreza, violência, guerras, exclusão e destruição ambiental

Compartilho, nesta oportunidade, o calendário ecológico referente ao próximo trimestre, meses de Julho, Agosto e Setembro, enfatizando que neste período teremos 29 dias, semanas e tempos/momentos especiais, voltados ao despertar da consciência ecológica crítica e, ao mesmo tempo, momentos importantes e significativos para um processo de educação ambiental, também crítica e libertadora.

Ao publicar a Encíclica Laudato Si, sobre a Ecologia Integral , em Maio de 2015, portanto há mais de 11 anos, o Papa Francisco nos exortava de que, por mais grave que seja o processo de degradação ambiental,  referindo-se, por exemplo que “a terra, nossa casa, parece transformar-se cada vez mais num imenso depósito de lixo”, não podemos perder a esperança de que mudanças são possíveis, além de necessárias.

Ele criticava duramente a cultura do descarte e o consumismo desenfreado, que geram montanhas de resíduos, principalmente lixo plástico, que poluem o planeta, ameaçam a biodiversidade dos oceanos, dos solos e degradam, destroem o meio ambiente por inteiro, todos os países e continentes, no que, anos depois (em 2017 e 2018), foi secundado pelo Secretário Geral da ONU, António Guterres ao dizer que ” a continuar esta tendência, em 2050, em diversas partes do mundo os oceanos e mares terão mais plásticos do que peixes” (e também nos córregos, rios e lagos como já acontece no Brasil em diversas regiões, como no Pantanal, por exemplo), demonstra alguns dos graves desafios como a poluição e degradação dos solos (férteis), das águas (córregos, rios, lagos, mares e oceanos) e do ar, principalmente nas cidades.

De acordo com dados oficiais da ONU – Organização mundial da Saúde (OMS), por ano, os problemas socioambientais são responsáveis por, aproximadamente,  12,6 milhões de mortes prematuras e evitáveis, ou seja, 23% de todas as mortes anuais. Esta é mais do que uma razão suficiente para despertar a nossa consciência em relação `a necessidade de cuidarmos melhor do meio ambiente, nossa Casa Comum.

Voltando `a Encíclica Laudato Si, merece destaque também alguns trechos em que somos exortados quanto `a urgente necessidade de mudarmos nossos hábitos de consumo, consumismo desenfreado, desperdício, descarte, tanto em dimensão individual quanto e, principalmente, coletiva, comunitária, da mesma forma que é imperioso a mudança, transformação dos sistemas econômicos (produção e relações de trabalho e de consumo).

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É neste contexto que o Papa Francisco criticou os atuais sistemas econômicos que não respeitam o meio ambiente, nem o direitos dos trabalhadores, dos consumidores e das futuras gerações ao dizer “esta economia mata” e a necessidade de substituir os paradigmas da economia da morte por outros paradigmas da “economia da vida”, a chamada Economia de Francisco e Clara, no que tem sido também enfatizado neste mesmo sentido pelo Papa Leão XIV ao longo de seu magistério como líder máximo da Igreja Católica.

Este processo de mudança de hábitos e de estilo de vida tem um nome na Laudato Si e refere-se `a CONVERSÃO ECOLÓGICA, com ênfase de que a mesma precisa ser fundamentalmente comunitária e, ai, todas as instituições públicas e privadas, governantes, empresários, Igrejas, Universidades , meios de comunicação e , também, sistemas educacionais, em todos os níveis, especialmente as escolas católicas, lideranças em geral precisam participar ativamente deste processo de mudança e transformação, incluindo, por exemplo, a luta em prol dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pela ONU, no mesmo ano (2015) da publicação da Encíclica Laudato Si e também do Acordo de Paris, por ocasião da COP 21.

Entre os 17 ODS, constam pelo menos dez que se referem diretamente sobre os desafios socioambientais, merecendo destaque os seguintes; ODS 2 Fome Zero e Agricultura Sustentável, ODS 06 Água Potável e Saneamento básico; ODS 07 Energia Limpa e Acessível (oriunda de fontes renováveis como solar, eólica, hídrica, biomassa, hidrogênio verde, em substituição aos combustíveis fósseis – petróleo, gás natural e carvão – responsáveis por aproximadamente 78% das emissões de gases de efeito estufa no planeta e pela crise climática); ODS 08  Trabalho Decente e Crescimento Econômico Sustentável; ODS 09 Indústria, inovação e infraestrutura, com ênfase na industrialização inclusive e sustentável; ODS 11 Cidades e comunidades sustentáveis; ODS 12 Consumo e produção sustentáveis; ODS 13  considerado o aspecto central dos ODS, Ação contra da mudança global do clima, na verdade uma crise climatica cujos impactos já estão de há muito sendo sentidos na alteração do regime das chuvas, a presença de secas prolongadas ou inundações, a ampliação da desertificação e das áreas degradadas, ondas de calor extremo, chegando em alguns dias e semanas a mais de 45º C ou até superando 50º C; ODS 14 Vida na água, com destaque para a destruição da fauna e flora dos ecossistemas; crise hídrica, incluindo o esgotamento dos aquíferos; ODS 15 Vida terrestre visando principalmente proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir as florestas de forma sustentável, combater a desertificação e impedir a perda/destruição da biodiversidade. Neste particular a meta de desmatamento zero é fundamental, tendo em vista que o desmatamento contribui para diversos problemas climáticos, hídricos e degradação dos solos em todos os países, inclusive no Brasil.

E finalmente, os dois últimos ODS, que estão diretamente relacionados aos desafios institucionais, globais, incluindo a constituição de fundos mundiais para financiar o combate `as mudanças climáticas e suas conse1quências e outros desafios que recaem sobre as nações mais pobres que são, na verdade vítimas da degradação socioambiental promovida pelos países centrais, principalmente os que integram o G20, responsáveis por mais de 70% dos problemas ambientais mundiais e que se negam a “pagar” pela degradação e destruição ambiental que promovem.

Da mesma forma, lamentavelmente, como pode ser constatado em todas as COPs (Conferências do Clima) ao longo dos últimos 30 anos, os países “desenvolvidos”, mais concretamente os que integram o G20, inclusive o Brasil, tem resistido `as mudanças necessárias para que o enfrentamento dos desafios socioambientais possam ocorrer de forma efetiva e concreta, como, por exemplo, o fim do uso dos combustíveis fósseis e a degradação dos oceanos.

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Não poderia deixar, também, de mencionar que neste trimestre que se aproxima, teremos um momento muito especial que é o TEMPO DA CRIAÇÃO, cujo início será em 01 de Setembro, Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação e termina em 04 de Outubro vindouro, Dia da Ecologia, Dia dos Animais e Dia de São Francisco de Assis, o Patrono/padroeiro da Ecologia integral (meio ambiente).

A propósito, o tema do Tempo da Criação em 2026 será “Água Viva”,  visando refletir sobre a crise hídrica, na verdade, conforme relatório da ONU, uma verdadeira falência hídrica que já se abate sobre o planeta e poderá ficar mais grave em futuro próximo, afetando inúmeros aspectos da vida humana como produção de alimentos, abastecimento urbano e rural, a saúde e o saneamento,  a vida nas cidades e tantos outros aspectos.

Uma última observação, como estamos no limiar das próximas eleições de 2026, quando os eleitores/eleitoras do Brasil irão escolher Presidente, Vice Presidente da República, Governadores e vice governadores dos Estados, dois terços do Senado Federal, todos os deputados federais e estaduais, ou seja, a cúpula dos poderes Executivo e Legislativo do Brasil, este é um momento, mais do que oportuno, de lutarmos para que os candidatos e futuros eleitos comprometam-se realmente com o estabelecimento, fortalecimento e implementação de políticas públicas com o objetivo de enfrentar tantos desafios socioambientais que já nos afetam produndamente.

A seguir, compartilho o Calendário Ecológico de 2026, referente ao próximo trimestre, esperando que possamos aproveitar os momentos especiais contidos no mesmo (dias, semanas) e aprofundarmos nossas reflexões e ações em defesa da ecologia integral e mudar este processo irracional, muitas vezes criminoso como nos relacionamos,  enquanto pessoas, comunidades, países com a natureza e conosco mesmos como sociedade, ignorando que o planeta terra tem seus limites e seus direitos e, ao rompermos esses limites estamos caminhando para um processo de destruição em massa de todas as formas de vida, inclusive da vida humana neste planeta, a nossa Casa Comum.

CALENDÁRIO ECOLÓGICO 2026

Meses Julho a Setembro

JULHO

03  Dia Internacional Sem Sacos Plásticos

12 Dia do Engenheiro Florestal

13 Dia do Engenheiro de saneamento/sanitarista

17 Dia de Proteção das Florestas (ver também dias 21 março e 21 de Setembro)

26 Dia Mundial de Proteção dos Manguezais

AGOSTO

14 Dia Interamericano da qualidade do ar

09 Dia Internacional dos Povos Indígenas (ver também 19 de Abril)

10 Dia dos pais

10 Dia internacional do biodiesel

10 Dia da Solidariedade Cristã

12 Dia Nacional dos Direitos Humanos

21 Dia Nacional da Habitação

28 Dia Nacional do Voluntariado

SETEMBRO

1º de setembro a 4 de outubro: Tempo da Criação

01 Festa da Criação e momento de abertura do Tempo da Criação

01 Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação

03 Dia do Biólogo

05 Dia da Amazônia

05 Dia Internacional de Conscientização da Sobrecarga de plásticos (Dia Internacional do excesso de plásticos)

07 Dia da Independência do Brasil

07 Dia Mundial do Ar Limpo (Combate `a poluição do Ar)

11 Dia Nacional do Cerrado

16 Dia Internacional de luta para a preservação da Camada de Ozônio

19 Dia Mundial de luta pela Limpeza das Águas (ver também 22 de Março)

21 Dia da Árvore (ver também 21 de Março e 17 Julho)

22 Dia Nacional em defesa da Fauna

25 Dia da Bandeira dos ODS – Objetivos do Desenvolvimento Sustentável

29 DIA Internacional de Conscientização sobre Perda e Desperdício de Alimentos (Dia Internacional do Deperdício Zero). Ver também 30 de Março

29 Dia Mundial dos Rios

Juacy da Silva é professor fundador, titular e aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, Sociólogo, Mestre em Sociologia, Ambientalista, Ativista Social, Articulador da Pastoral da Ecologia Integral, Região Centro Oeste.

* A opinião do articulista não reflete necessariamente a opinião do PNB Online

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