Durante audiência pública realizada nesta quinta-feira (04.02) para debater a substituição do VLT pelo Bus Rapid Transit (BRT), na Assembleia Legislativa, o prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro (MDB) propôs a criação de um plesbicito para que a população possa ter poder de voto sobre a definição.
Pinheiro não é favorável à mudança proposta pelo governador Mauro Mendes (DEM) e é um defensor da finalização da obra do VLT, que já consumiu mais de R$ 1 bilhão sem praticamente nunca ter saído do papel desde 2014.
No auditório da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Pinheiro relembrou que audiências públicas foram realizadas para ouvir os prefeitos das cidades envolvidas à época de decisão pelo VLT. Nesse sentido, ele entende que uma provável também deve seguir essa mesma metodologia.
“Sempre fui favorável ao VLT, por ser mote de desenvolvimento, modernidade, dignidade, comodidade, conforto e símbolo desenvolvimentista para uma capital voltada ao futuro. No entanto, neste momento, a discussão não é VLT ou BRT, mas sim a necessidade de Cuiabá ser ouvida. Isso está nas leis, tanto no Estatuto das Cidades e Lei da Região Metropolitana. Essas leis exigem que as decisões relacionadas às obras dessa envergadura sejam feitas de forma compartilhada.”, destacou.
O prefeito disse ainda que alguns municípios da Região Metropolitana também podem participar das discussões sobre obras impactantes na Capital. “O modal já estava escolhido, projeto completo, financiamento aprovado, 80% da obra pronta e cerca de R$1 bilhão investido. Vou mais além, Cuiabá é uma Região Metropolitana, temos que envolver os municípios de Santo Antônio, Barão e Nossa senhora do Livramento na discussão. Minha posição é essa, a escolha tem que ser compartilhada e não somente o Estado deve tomar essa decisão unilateral”, argumentou.
O deputado estadual Valdir Barranco, que foi o autor do requerimento para a realização da audiência pública, também reforçou que a população participe do debate sobre a troca do transporte público. “Quanto mais a população compreender um tema tão complexo que é essa mudança de modal será melhor para todas as partes. O Estado atropelou, queríamos a audiência antes da aprovação da troca do VLT para o BRT”, explicou o deputado.
A decisão do Estado é sustentada por estudos que tiveram a participação, inclusive, da Secretaria Nacional de Mobilidade Urbana. O VLT, segundo Mauro Mendes, é defendido por corruptos já que toda sua idealização ocorreu no governo de Silval Barbosa. O ex-governador afirmou em delação premiada que o modal foi trazido com interesse em facilitar pagamentos de propina.
Emanuel Pinheiro, na época, em 2014, era deputado estadual e tem seu nome citado nas delações de Silval como um dos deputados que recebiam propina para ajudar a aprovar as obras de mobilidade urbana. Silvio Corrêa, ex chefe de gabinete de Silval, entregou à Polícia Federal no âmbito da Operação Ararath, vídeos que comprovariam esses recebimentos. Um desses vídeos culminou no escândalo do paletó, onde Emanuel aparece colocando dinheiro nos bolsos, ao ponto de deixar cair um maço no chão.
Recentemente, Emanuel criou um comitê para avaliar os estudos e ter poder de escolha. Segundo ele, afinal, o modal passará por Cuiabá. A reação de Emanuel causou desconforto, ao ponto de a Secretaria de Comunicação enviar às redações um release acusando o prefeito de tentar monopolizar a questão.
A Secom afirma que o “comitê engloba seis municípios, porém apenas o prefeito de Cuiabá terá poder de decisão. (…) Não terão poder de decisão nenhum integrante das prefeituras de Várzea Grande, Acorizal, Chapada dos Guimarães, Nossa Senhora do Livramento e Acorizal, municípios que também compõem a Região Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá”, afirma a nota.
























