
O espetáculo “Floresta e as pedras pelo caminho” estreia nesta sexta-feira (03.07) em Cuiabá, levando às praças da cidade uma montagem que reúne palhaçaria, música, dança e referências à cultura popular de terreiro. Com classificação livre, a peça será apresentada gratuitamente até domingo (05.07) nos bairros Parque Cuiabá, Pedra 90 e Jardim Vitória.
A montagem é resultado da parceria entre a atriz e pesquisadora Ana Carolina de Mello e a maranhense Antônia Vilarinho, uma das referências nacionais em palhaçaria e criadora da metodologia denominada Palhaçaria de Terreiro. A protagonista é Floresta, personagem desenvolvida por Ana Carolina durante um processo de pesquisa e criação orientado por Vilarinho.
Segundo Antônia, o espetáculo parte da relação entre comicidade, ancestralidade e manifestações da cultura popular brasileira. “É uma obra de música, de dança, de alegria. O riso é reza, alegria é fundamento ancestral. A Ana traz sua relação com o maracatu, o slam, a natureza e o pertencimento à terra, e tudo isso dialoga com essa metodologia”, afirma.
A chamada Palhaçaria de Terreiro propõe uma abordagem da comicidade baseada em referências afro-brasileiras e afro-ameríndias, incorporando elementos como musicalidade, corporeidade, capoeira angola e saberes tradicionais aos processos de criação artística.
Nesse contexto, Antônia prefere definir seu papel como uma “Orí-entação”, em vez de direção artística. O termo faz referência ao conceito de Orí, da filosofia iorubá, associado à essência e à consciência de cada indivíduo. “O processo é coletivo. Vem do aprendizado com religiões de matriz africana e comunidades quilombolas, sempre trabalhando com a circularidade e com muitas mãos”, diz.
O processo de criação começou em abril, durante uma residência artística realizada em Cuiabá. Depois da imersão inicial com Antônia, os ensaios seguiram com Ana Carolina e as sonoplastas Mariana Borealis e Lívia Freire, que também participam da cena executando percussões, canções populares e músicas autorais inspiradas em ritmos como maracatu, samba e forró.

Para Ana Carolina, a construção da palhaça Floresta também representou uma transformação pessoal. “A pedra no caminho foi aprender a confiar na escuta interior, driblar o cansaço e descobrir uma nova forma de o corpo comunicar a presença da palhaça”, afirma.
Além dos palcos, a experiência também será incorporada à pesquisa acadêmica da artista. Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Cultura Contemporânea da Universidade Federal de Mato Grosso (PPGECCO-UFMT), Ana Carolina pretende dedicar o capítulo final de sua dissertação ao processo de criação do espetáculo e à metodologia desenvolvida por Antônia Vilarinho.
Segundo ela, o objetivo é investigar a presença da palhaça na cultura afro-ameríndia e discutir a Palhaçaria de Terreiro como um método criativo de perspectiva contracolonial. O projeto foi contemplado pelo edital Viver Cultura, da Política Nacional Aldir Blanc, executado pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (Secel).
























