Depois das declarações de Sua Majestade nosso presidente de que estamos em guerra, eu imediatamente convoquei minha comadre Bellona, que é repórter de guerra. Ela que já cobriu várias guerras, dentre as quais Star Wars, ela também esteve como repórter de guerra nas cidades de Rohan e Gondor. Ela é uma repórter destemida, não importa em que mundo a guerra se trave, se no mundo real, num mundo delirante bolsomínico ou no mundo miliciânico.
Chegando ao meu gabinete, ainda ofegante, já perguntando. Por quê a urgência meu chefe de redação e compadre?
– Comadre a imprensa escrita, falada televisionada e internetizada está publicando as falas do Capitão da Nação, que estamos em guerra bacteriológica contra o país onde se descobriu o SarsCov, que esse país é o que mais cresceu no mundo em 2020, mas nosso mito não pode dizer o nome da China, sob pena desse país deixar de comprar nossa produção agropecuária e ferrar seus apoiadores, por isso deve manter em sigilo o nome da China.
Ela pegou seu telefone e logo começou consultar suas fontes nas diversas agências de inteligência do mundo. CIA, FSB (Rússia), Mossad(Israel), Naicho (Japão), BND (Alemanha, KGB, FBI, SWAT, Rambo, Capitão América, Shazam, Chapolim, etc, mas todas suas fontes não sabiam dessa guerra e por isso não tinham informações a lhe dar. Seria um furo da nossa agência? Não a Abin, nem o GSI, mas a agência pessoal do “Mito”, ou a Agência de inteligência da Família Real Presidencial conduzida pelo Príncipe Vereador Federal?
Não importa comadre quem descobriu e nem quem nos declarou guerra, se foi a China ou a Conchinchina. O que vale é o que nosso semi deus diz e já está a par da situação.
Algumas horas depois minha Comadre Bellona, repórter de guerra, já está no local dos acontecimentos acompanhando o desenrolar dessa “guerra baceteriológica”. De lá manda a primeira nota.
“ Aqui no front já sabemos os passos que nossa República Miliciana Federativa Conservadora Liberal Guedesista está fazendo para dissipar esse ataque. Para o contra ataque foi convocado para comandar a logística de guerra o obediente General Pozuello. Também informo que nosso arsenal de guerra já foi abastecido por munições desenvolvidas nos laboratório de nosso glorioso Exército, que deixou de pintar meios fios para a produção da cloroquina e hidroxicloroquinas e, em caso de sermos bombardeados por piolhos, já adquirimos ivermectina. A meta do nosso presidente com histórico de atleta é imunizar seu rebanho.”
Comadre Bellona já vou preparar uma edição extra para manter o gado, digo o povo informado sobre esse ataque e sobre as medidas que nosso mito – curandeiro quer nos receitar para evitar a contaminação.
Cumpadre lhe envio outra nota.
“Nada de mimimi, vamos encarar essa guerra de peito aberto, não sejam maricas” São as palavras encorajadora do nosso chefe da nação para seu gado, digo rebanho. Ops! Seu exército. Outra informação que temos é que o Extremo Senado, criou um comitê para acompanhar as baixas que chegam a quase 500 mil, e que se a extrema imprensa não divulgasse esses números, já estaríamos vencendo essa guerra. O General Pozuello foi convocado a dar explicações e não pôde comparecer. Ao que tudo indica que essa guerra bacteriológica está muito suja, e no meio dos vírus o inimigo enviou uma bactéria que provocou solturas no intestino do destemido general lacerando seu esfíncter, por isso ele anda sujando a farda. Não comparecerá à comissão”.
Comadre Bellona aguardo notícias.
Carlos Veggi Atala é professor e ex-diretor do Procon Municipal de Cuiabá


























