
Mato Grosso registrou 53 feminicídios em 2025 e teve a terceira maior taxa do país, de 2,7 vítimas para cada 100 mil mulheres. O número de mortes cresceu 11% em relação ao ano anterior, quando 47 mulheres foram assassinadas em razão do gênero.
Os dados fazem parte do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23.07) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Apenas Acre, com taxa de 3,2, e Rondônia, com 2,9, apresentaram índices superiores ao de Mato Grosso.
Entre as mulheres mortas no estado, sete tinham uma medida protetiva de urgência ativa no momento do crime. Em 2024, apenas uma vítima de feminicídio estava sob esse tipo de proteção judicial.
O estado também registrou 95 homicídios de mulheres, quatro a menos do que em 2024. Mesmo com a redução das mortes femininas em geral, os feminicídios aumentaram e passaram a representar 55,8% dos homicídios de mulheres, ante 47,5% no ano anterior.
A diferença indica que a queda dos homicídios femininos não foi acompanhada por redução das mortes relacionadas à violência doméstica, familiar ou à discriminação de gênero.
O Anuário reúne informações fornecidas pelas secretarias estaduais de Segurança Pública, polícias e outros órgãos oficiais. A publicação ressalta que os registros também refletem diferenças na capacidade das instituições de identificar e classificar os crimes.
Tentativas de feminicídio crescem 39%
Além das mortes, Mato Grosso contabilizou 241 tentativas de feminicídio em 2025, contra 171 no ano anterior. O crescimento foi de 38,7%. Somadas as tentativas de homicídio e de feminicídio contra mulheres, foram 403 vítimas no estado, aumento de 13,4%. A taxa chegou a 20,8 casos por 100 mil mulheres.
No país, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública considera que ameaças, perseguições, agressões físicas, violência psicológica e descumprimentos de medidas protetivas podem integrar uma progressão da violência de gênero. Como explica a publicação, nem todos os casos seguem essa trajetória, mas esses crimes frequentemente antecedem tentativas de feminicídio e mortes.
Os registros de descumprimento de medidas protetivas cresceram 15,5% em Mato Grosso. Foram 2.292 ocorrências em 2025, ante 1.956 no ano anterior. O próprio Anuário pondera que números elevados podem indicar tanto dificuldades do Estado para conter o agressor quanto maior capacidade de fiscalização e registro.
Violência psicológica em MT tem maior alta do país
Mato Grosso teve o maior crescimento proporcional do país nos registros de violência psicológica contra mulheres. As ocorrências passaram de 2.151 para 3.720 em um ano, aumento de 70,3%. A taxa chegou a 192,3 casos para cada 100 mil mulheres, a segunda maior entre os estados, atrás apenas de Roraima.
Os registros de perseguição, conhecida como stalking, também avançaram. Foram 2.970 ocorrências em 2025, aumento de 31,6% em relação às 2.221 notificadas no ano anterior.
Mato Grosso contabilizou ainda 9.954 mulheres vítimas de lesão corporal em contexto de violência doméstica, alta de 5,5%. O número equivale a uma taxa de 514,6 casos para cada 100 mil mulheres.
As ocorrências de ameaça tiveram pequena redução, de 19.018 para 18.876, mas continuaram como o tipo mais numeroso entre os crimes analisados no estado.
Taxa de estupro supera média nacional
Mato Grosso registrou 2.060 mulheres vítimas de estupro ou estupro de vulnerável em 2025. O total caiu 14% em comparação com o ano anterior, quando houve 2.358 vítimas.
Apesar da redução, a taxa estadual permaneceu acima da média brasileira. Foram 106,5 casos por 100 mil mulheres em Mato Grosso, enquanto o país registrou 67,7.

Sinop apareceu na terceira posição do ranking nacional de estupros e estupros de vulnerável entre municípios com mais de 100 mil habitantes. A cidade teve taxa de 91,2 ocorrências por 100 mil moradores, atrás apenas de Boa Vista, em Roraima, e Ariquemes, em Rondônia.
O ranking municipal considera vítimas de ambos os sexos. Nacionalmente, porém, mulheres e meninas representaram 93,3% das vítimas de estupro e 85,6% das vítimas de estupro de vulnerável registradas em 2025.














