Duas declarações prestadas à Polícia Federal em Mato Grosso, em 14 de abril de 2026, levantam suspeitas de prática de caixa dois na campanha eleitoral de 2024, envolvendo o Partido Liberal (PL) com sua Comissão Provisória de Várzea Grande. As depoentes I.F.S. e V.A.M.N., ambas gerentes, relataram irregularidades nos pagamentos de fiscais de campanha, o que pode configurar gastos não declarados.
A Polícia Federal abriu procedimento para investigar se o valor pago aos agentes de campanha foi declarado. A suspeita é de que tenha ocorrido Caixa 2 na campanha de Moretti.
De acordo com os termos de declaração, I.F. e V.A. foram contratadas para coordenar equipes de fiscais do Partido Liberal em locais de votação no dia 06 de outubro de 2024, uma semana antes do primeiro turno das eleições. Ambas assinaram contrato no mesmo dia em que receberam treinamento para a atividade.
As depoentes afirmam que, embora os contratos previssem remuneração de R$ 250,00 a serem pagos via PIX, o pagamento efetivo foi realizado no dia seguinte à eleição, 07 de outubro de 2024, em espécie e no valor de R$ 500,00 para cada uma. O pagamento foi efetuado no comitê do partido em Várzea Grande.
Além do valor recebido por sua própria atuação, I.F. e V.A. relataram ter recebido, na mesma ocasião, mais R$ 1.750,00 em dinheiro para pagar os sete fiscais que coordenaram, sendo R$ 250,00 para cada fiscal. Os fiscais, por sua vez, receberam os valores posteriormente nas residências das coordenadoras.
I.F. coordenou sete fiscais na Escola Estadual Gattiboni, mas não se recorda dos nomes, tendo descartado os documentos com essas informações após uma faxina. V.A. coordenou sete fiscais na Escola Municipal Manoel Correia de Almeida e se lembra de alguns nomes, mas não seus nomes completos nem guardou documentos.
As duas mulheres procuraram a Polícia Federal após ouvirem notícias de que a atual prefeita estaria sendo investigada, fato que, segundo elas, é comentado em grupos de WhatsApp. A preocupação com o fato de os pagamentos terem sido realizados em dinheiro, e não via PIX como previsto em contrato, as levou a buscar orientação jurídica e, posteriormente, a registrar os fatos na PF.
Os depoimentos foram colhidos pelo delegado de Polícia Federal Wilson Rodrigues de Souza Filho, na Superintendência Regional de Polícia Federal em Mato Grosso, em Cuiabá.
O que diz a prefeita
A reportagem do PNB Online tentou contato com a assessoria de imprensa da prefeitura, que informou que não se manifestará sobre o assunto.























