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ESCÂNDALO DA OI

“Panhô ou não Panhô”: expressão cuiabana entrou no vocabulário da eleição de 2026

Panhô ou não Panhô, em óbvio, não “normaliza” a corrupção em Mato Grosso. Ao contrário, é uma forma da população lidar com a indignação em relação a um caso que está bem longe ainda de estar concluído. Há muito o que investigar e os políticos envolvidos devem, ainda, muitas explicações.

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Imagem gerada por IA

O Escândalo da Oi, a denúncia de corrupção envolvendo o desvio de 308 milhões de reais de dinheiro público para fundos ligados a familiares e aliados no governo do estado, ganhou tração nas redes sociais por conta de uma expressão cuiabana para inquirir os suspeitos do esquema: “panhô ou não panhô”? A expressão é fascinante, uma contração fonética de “apanhou”. No linguajar cuiabano, o “apanhar” não é apenas o ato de sofrer uma agressão, mas o ato de colher ou pegar algo rapidamente. É o primo direto do surrupiou” ou do “surripiou, usado em outras partes do interior do Brasil.

Panhô ou não Panhô, em óbvio, não “normaliza” a corrupção em Mato Grosso. Ao contrário, é uma forma da população lidar com a indignação em relação a um caso que está bem longe ainda de estar concluído. Há muito o que investigar e os políticos envolvidos devem, ainda, muitas explicações. As perguntas que não querem calar: como pode ser “normal” um negócio público se transformar em negócio particular? Como o dinheiro do povo de Mato Grosso foi parar nos fundos ligados a meia dúzia de bacanas?

SOCIOLOGIA DO ROUBO DO DINHEIRO PÚBLICO

O vocabulário brasileiro para a corrupção é quase tão vasto quanto o território nacional, variando entre o humor ácido e a indignação. Enquanto o “panhô” é uma digital linguística muito específica de Cuiabá e do linguajar cuiabano (o “tchapa e cruz”), o restante do Brasil utiliza uma série de termos que mudam conforme a região.

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Nesta exploração de uma certa sociologia do roubo do dinheiro público, aqui estão outras expressões populares mais comuns para tratar desse assunto;

  1. No Nordeste

O Nordeste tem um repertório muito rico, muitas vezes associando o roubo à agilidade manual ou a animais.

Meteu a mão: A mais clássica. Significa que o político não apenas pegou, mas agiu com voracidade.

Levou no rastro: Quando o desvio é feito de forma que parece “limpa”, mas deixou o prejuízo.

Fazer uma “magoada”: Em algumas regiões, refere-se a tirar uma parte indevida de um montante.

Botar no bolso: Comum para propinas ou desvios menores.

Sangrar os cofres: Usado quando o roubo é contínuo e exauri os recursos de uma prefeitura ou estado.

  1. No Sul

No Sul, as expressões costumam ser mais diretas, muitas vezes focadas na ideia de levar vantagem ou de “limpar” o que pertence ao público.

Limpar o tacho: Significa que o político não deixou sobrar nada do orçamento.

Garfou: Uma expressão muito usada no Rio Grande do Sul e Santa Catarina para dizer que alguém tirou uma “garfada” (uma parte considerável) do dinheiro público.

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Passar o rodo: Quando o desvio é amplo e atinge vários setores.

Meteu o cano: No sentido de dar um prejuízo ou aplicar um golpe financeiro na administração.

  1. Expressões Nacionais (Ouro da Casa)

Estas são entendidas de Norte a Sul e aparecem tanto na mesa do bar quanto nos telejornais:

Rouba, mas faz: O famigerado lema político brasileiro que virou expressão popular para definir o gestor corrupto, mas eficiente em obras.

Rachadinha: O termo da moda para o desvio de salários de assessores.

Caixa dois: O clássico dos recursos não contabilizados.

Molhar a mão: Especificamente para o ato de pagar ou receber propina (o suborno).

Esquema: O termo genérico para qualquer sistema organizado de corrupção.

Tungar: Um termo mais antigo, mas ainda muito usado para dizer que alguém foi “roubado” pelo governo ou por um político.

*Pedro Pinto de Oliveira é jornalista e professor da UFMT. Mestre em Ciências da Comunicação pela USP e Doutor em Comunicação pela UFMG.

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