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CRISE FINANCEIRA

Flávia Moretti foi avisada há um ano que Várzea Grande quebraria, mas não fez nada

Em um dos despachos mais contundentes enviados diretamente ao Gabinete da Prefeita em 2025, a gravidade da situação é exposta em detalhes.

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Documentos oficiais e confidenciais obtidos pela reportagem do PNB Online revelam que a prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), recebeu repetidos avisos sobre o iminente colapso financeiro de Várzea Grande, com destaque para a crise na área da Saúde. Os alertas e avisos foram feitos pela equipe técnica do município desde julho de 2025, mas Moretti ignorou as informações, e seguiu adotando a mesma política de gastos. A situação financeira do município acabou acarretando em um decreto de contingenciamento, publicado na última semana, após meses de crise. Em reportagens recentes, o PNB Online mostrou que a Prefeitura deixou de pagar salários dos servidores da Saúde, dando calote em médicos, enfermeiros e outros profissionais da Secretaria Municipal de Saúde (SMS)

A crise vinha sendo desenhada de forma detalhada pelos órgãos de controle interno e finanças do município. Em um dos despachos mais contundentes enviados diretamente ao Gabinete da Prefeita e recebido formalmente em 13 de outubro de 2025, a gravidade da situação é exposta em detalhes. O documento, classificado com um carimbo vermelho de “Confidencial”, alertava sobre a necessidade urgente de uma intervenção financeira.

As notificações técnicas começaram muito antes de o cenário se tornar insustentável. A cronologia dos alertas mostra que o termômetro da crise disparou ainda no meio do ano anterior. O primeiro aviso formal foi registrado em julho de 2025, sob o processo Gespro nº 1069846. Sem que medidas fossem adotadas, um novo alerta foi emitido em agosto de 2025, por meio do Gespro nº 1077649. Diante da inércia, a Secretaria de Fazenda voltou à carga em setembro de 2025 com o Gespro nº 1083581. Naquele momento, os técnicos apontavam que, dos alertas enviados, houve “apenas o último respondido, mas sem apresentar plano para a contenção de gasto ou qualquer ação para equilíbrio das contas”.

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Em 9 de outubro de 2025, o Ofício nº 818/SEGEFAZ/2025 foi encaminhado à então secretária municipal de Saúde, Deisi de Cássia Bocalon Maia, reiterando o desespero das finanças municipais. Poucos dias depois, no dia 13 de outubro, o secretário de Gestão Fazendária, Marcos José da Silva, formalizou o Ofício nº 834/GABINETE/SGF direcionado à Controladora Geral do Município, Elizangela Batista de Oliveira, cobrando providências imediatas. No texto, o secretário foi categórico ao falar sobre a crise. 

“É imperativo salientar que, desde o mês de julho de 2025, a Secretaria de Gestão Fazendária tem notificado a Administração Pública acerca da real situação do tesouro municipal”. Ele completou criticando a paralisia do governo: “Não obstante, não se observou, até a presente data, a implementação de medidas plausíveis para mitigar o problema”.

O rombo financeiro que ameaçava quebrar a Prefeitura estava concentrado principalmente na folha de pagamento e nos gastos excessivos da saúde pública.

As projeções técnicas para o encerramento daquele ano apontavam um rombo astronômico, indicando que “os dados apresentados demonstram um quadro de insuficiência orçamentária no montante total de R$ 54.512.562,02, representando grave comprometimento da execução financeira da pasta”.

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Outro lado

A reportagem do PNB Online entrou em contato com a Prefeitura de Várzea Grande para que a assessoria de imprensa explicasse por qual razão a prefeita Flávia Moretti ignorou os alertas de crise financeira. A assessoria, em resposta, enviou a seguinte nota:

NOTA

A Secretaria Municipal de Gestão Fazendária informa que a ex-gestora da Saúde foi formalmente notificada sobre a aplicação de recursos em percentual significativamente superior ao mínimo constitucional exigido para a área.

A pasta esclarece que os apontamentos foram realizados em razão dos impactos que o excesso de despesas na Saúde poderia comprometer a capacidade de investimento e a execução de políticas públicas em outras áreas da administração municipal.

A Secretaria reforça que a gestão fiscal responsável exige a observância dos limites orçamentários e o planejamento adequado da aplicação dos recursos públicos, garantindo o atendimento das demandas de todas as secretarias e da população

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