Uma idosa de 94 anos foi resgatada de uma condição análoga à escravidão em Mato Grosso durante a Operação Resgate IV, realizada neste mês em diversos estados. A trabalhadora, que é a pessoa mais velha já resgatada no Brasil, trabalhou por 64 anos sem receber salário, sem estudar e sem constituir família.
A idosa, que cuidava de sua patroa de 90 anos com Alzheimer, foi encontrada em uma situação de extrema vulnerabilidade. Como parte da ação fiscal, foi garantido a ela o usufruto da casa onde morava, com todas as despesas pagas pela família da empregadora, incluindo a contratação de um cuidador e o recebimento de um salário mínimo por mês. O município em que a idosa mora não foi informado.
O subprocurador-geral do Trabalho Fábio Leal, do Ministério Público do Trabalho (MPT), destacou a gravidade do caso e a necessidade de atenção ao trabalho doméstico.“É impressionante uma senhora de 94 anos ser vítima da exploração do trabalho. Essas trabalhadoras, muitas vezes, são iniciadas ainda crianças para exercer trabalhos domésticos em casas de família e acabam se apegando, se sentindo parte dessas famílias. Mas elas só são parte da família para fazer aquelas obrigações domésticas. Na hora de fazer viagens ou de ser convidada para uma ceia de Natal, são invisíveis”.
A Operação Resgate IV, uma ação conjunta de combate ao trabalho escravo e tráfico de pessoas no Brasil, envolveu mais de 23 equipes de fiscalização que realizaram 130 inspeções em 15 estados e no Distrito Federal. Durante a operação, 593 trabalhadores foram resgatados, número 11,65% maior do que o registrado na operação de 2023.

Balanço da operação
O coordenador Geral de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Análogo ao de Escravo e Tráfico de Pessoas, André Roston, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), fez um balanço das ações de fiscalização realizadas ao longo de agosto de 2024 e revela que os trabalhadores já receberam, aproximadamente, R$ 1,91 milhão em verbas rescisórias, sendo que o total estimado é de R$ 3,46 milhões. O valor total será maior, pois muitos pagamentos ainda estão em processo de negociação com os empregadores ou serão judicializados.
Além da idosa, as equipes também flagraram nos estados do Amapá, Distrito Federal, Mato Grosso e Minas Gerais 18 crianças e adolescentes submetidos a trabalho infantil, sendo que 16 delas estavam em condições semelhantes à escravidão. Os estados com maior número de resgatados foram Minas Gerais, São Paulo e o Distrito Federal.
A operação contou com a participação de seis instituições: Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério Público Federal (MPF), Defensoria Pública da União (DPU), Polícia Federal (PF) e Polícia Rodoviária Federal (PRF).



























