Marcello Casal JrAgência Brasil

As manifestações e os conflitos nas principais capitais do país neste domingo (31) entre grupos pró e contra o presidente Jair Bolsonaro são um grande equívoco e o mais grave: é tudo o que Bolsonaro quer. Esta é a avaliação do advogado e escritor Eduardo Mahon sobre o movimento nas ruas, principalmente, em São Paulo e na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Eduardo Mahon aponta que o alvo está errado. “Quem é que está faltando nesta equação? O Ministério Público Federal. O povo com arma na mão e fazendo barricada na avenida Paulista com pneus queimando é tudo o que Bolsonaro quer”, frisou o advogado. “Nós não temos que marchar contra o presidente, temos que marchar para pressionar o procurador-geral da República (Augusto Aras). Não é contra Bolsonaro”, afirmou Mahon.
O caminho mais rápido para cobrar a ação do Ministério Público é por meio das redes sociais. Uma estratégia que tem que envolver a imprensa, formadores de opinião e o povo. “A gente tem que fazer passeata, piquete, meme, cartazes, falar nas redes sociais, tem que ser manchete na capa dos jornais cobrando do MPF: reajam, o que os senhores vão fazer? São os procuradores, as associações do MP, dos juízes federais e estaduais e OAB que precisam pressionar o procurador-geral. É o único caminho. Não tem outro”, assegurou Mahon.
O advogado apontou que a omissão do MPF é uma das causas do extremismo que se vê de um lado e de outro, hoje no Brasil, justamente porque a “barreira” das instituições em relação às ações anti-democráticas do presidente da República não está funcionando. Segundo Mahon, a questão se resume em cobrar de quem é de direito. “O MPF deveria apresentar ação de improbidade administrativa civil e ação penal de crimes contra a segurança nacional, de desobediência, de injúria, crime de calúnia. Pelo menos uma ação para simbolizar que não há omissão das instituições brasileiras. O que temos hoje é um Judiciário que precisa continuar inerte, porque ele é inerte e, nós não temos nenhuma ação contra o presidente. Então, Bolsonaro vai testando os nossos limites”, ressaltou Mahon, destacando o péssimo resultado da reação nas ruas.
Além de mirar no alvo errado, o contra-ataque está sendo feito da mesma forma que os bolsonaristas costumam agir. “Nós temos que mirar no alvo certo e não podemos entrar no mesmo jogo do bolsonarismo, da violência. A torcida organizada vai para rua com ferro na mão. Isso não é democrático. Marcha contra os outros com ânimo de ataque, batendo no peito dizendo que é o mais valente, não é democrático”, observou o jurista.
Se as instituições não cumprem o seu papel de fiscalização, o risco neste embate é entrar em cena o mais forte, neste caso. “Quem é o mais forte? As Forças Armadas. Quem tem as armas vai moderar os dois grupos. Esta é a tese do Ives Gandra, de que vai vencer o mais forte, que vai prosperar”, alertou Mahon.
Símbolos propositais
Eduardo Mahon avalia que o presidente Jair Bolsonaro, ao tomar leite puro em uma live nas redes sociais na quinta-feira, fez uso proposital de uma referência nazista à supremacia branca usada pelos alemães e americanos. “Eu penso que um dia depois da repreensão de Israel em função das declarações infelizes do ministro da Educação (Abraham Weintraub), esse gesto é uma provocação. A atitude de comemoração que depois foi replicada por grupos radicais, não pode ser uma coincidência. Não podemos apostar na ingenuidade de todos os que nos comandam”, disse o advogado. Os manifestantes pró-bolsonaro foram ao extremo na manifestação em frente ao Supremo Tribunal Federal com tochas que lembravam a Ku Klux Klan, uma organização civil americana que prega a supremacia racial branca, o racismo e o antissemitismo.






















