
Mato Grosso registrou, em média, quase cem golpes por dia ao longo de 2025. Foram contabilizadas 35.926 ocorrências de estelionato no estado, o equivalente a 98 casos diários, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública nesta quinta-feira (23.07).
O total representa aumento de 14,4% em relação a 2024, quando o estado havia registrado 30.940 ocorrências. Em números absolutos, foram 4.986 casos a mais em um ano. O crescimento em Mato Grosso foi mais de cinco vezes superior à variação nacional, de 2,7%.
A taxa estadual passou de 806,5 para 922,7 registros por 100 mil habitantes. Com o resultado, Mato Grosso ficou com a nona maior taxa de estelionato entre as unidades da Federação, embora ainda abaixo da média brasileira, de 1.059,4 ocorrências por 100 mil habitantes.
Do total registrado em Mato Grosso, 23.120 ocorrências foram classificadas como estelionato praticado por meio eletrônico, como golpes aplicados por celular, internet ou aplicativos. Esse tipo de crime respondeu por 64,4% dos registros, uma média de 63 casos por dia.
As fraudes eletrônicas cresceram 8,4% no estado, ante 21.016 ocorrências em 2024. A taxa chegou a 593,8 casos por 100 mil habitantes, a quarta maior entre as unidades da Federação que apresentaram dados específicos sobre a modalidade, atrás de Santa Catarina, Distrito Federal e Rondônia.
O número geral de estelionatos já inclui as fraudes eletrônicas e, portanto, os dois dados não devem ser somados. Desde 2021, a legislação passou a incluir as modalidades eletrônicas dentro da tipificação do crime de estelionato.
Entre os golpes mais comuns identificados nacionalmente estão clonagem ou troca de cartão, golpe pelo WhatsApp, falsa central bancária, fraude por Pix, uso indevido de CPF e anúncios de lojas ou leilões falsos. Em Mato Grosso, um dos grandes destaques é o golpe do falso advogado, que levou a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT) a lançar uma campanha de conscientização.
Golpes avançam no país
Em todo o Brasil, foram registradas 2,26 milhões de ocorrências de estelionato em 2025. O número é 429,8% superior ao de 2018, primeiro ano da série histórica apresentada pelo Anuário, quando houve 426,7 mil casos.
O crescimento ocorre enquanto crimes patrimoniais tradicionalmente praticados nas ruas, como diferentes modalidades de roubos e furtos, apresentam redução. Para o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os estelionatos se consolidaram como o principal crime patrimonial do país.
Grande parte das fraudes utiliza técnicas de engenharia social, nas quais os criminosos exploram sentimentos como medo, urgência, confiança ou expectativa de ganho para convencer a vítima a informar senhas, instalar aplicativos, fornecer códigos de autenticação ou realizar transferências.
O Anuário ressalta que os dados representam ocorrências registradas nas polícias e não necessariamente a dimensão real do problema. Estados com maior acesso às delegacias, canais digitais de denúncia e confiança nas instituições podem apresentar mais registros.






















